País conquistou uma vaga no órgão
na última quinta-feira, 17/10. ONGs de direitos humanos e governo dos EUA lamentam
a entrada. China expressa apoio ao país. A eleição da Venezuela para o Conselho
de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) causou surpresa e
despertou reações de ONGs e países contrários à entrada do país no órgão.
A Venezuela garantiu um dos dois
assentos destinados à América Latina e Caribe na última quinta-feira, 17,
apesar de protestos contra sua candidatura. As duas vagas eram disputadas por
Brasil, Venezuela, e Costa Rica – que lançou a candidatura de última hora, numa
tentativa de impedir a entrada da Venezuela no conselho.
Para garantir um assento no órgão
são necessários pelo menos 97 votos dos 193 países-membros da organização. O
mandato tem duração de três anos, com possibilidade de reeleição. A Venezuela
conquistou 105 votos; o Brasil foi reeleito para mais um mandato no órgão com
153 votos. Já a Costa Rica obteve apenas 96 votos.
Por meio de sua conta no Twitter,
o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, celebrou a vitória. “Vitória na ONU!
Com 105 votos, a Venezuela ingressa como país livre e soberano no Conselho de
Direitos Humanos das Nações Unidas. Acima das ameaças triunfou nossa diplomacia
bolivariana de paz e livre autodeterminação dos povos”, escreveu Maduro.
A notícia coincidiu com a
libertação de 24 opositores detidos no país. Ao mesmo tempo que anunciava a
libertação dos opositores, o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab,
comemorou a vitória e descreveu a votação como uma “importante conquista” para
o país.
Em contraponto, entidades que
atuam em defesa dos direitos humanos rechaçaram a entrada da Venezuela no
órgão, destacando que o regime autoritário de Maduro promove uma constante
violação dos direitos humanos.
Uma delas foi a Human Rights
Watch, que, junto com outras 50 organizações de direitos humanos, já havia
repudiado a candidatura venezuelana. As entidades destacaram a incoerência em
eleger a Venezuela para o conselho, uma vez que a própria ONU é crítica das
violações de direitos humanos no país. Em setembro, a organização aprovou uma
resolução que determinava a investigação de violações de direitos humanos por
parte do governo Maduro. No mesmo mês, a Alta Comissária para Direitos Humanos
da ONU, Michelle Bachelet, emitiu um relatório com duras críticas ao governo
Maduro. No relatório, Bachelet alertou para a degradação humanitária no país e
para o salto nas execuções extrajudiciais por forças especiais do governo.
O secretário de Estado dos EUA,
Mike Pompeo, citou o relatório de Bachelet para criticar a entrada da Venezuela
no órgão, destacando ainda que chamou de “abusos hediondos do regime” Maduro. O
governo americano, classificou a entrada da Venezuela no órgão como uma
“tragédia”.
Em contraponto, nesta
sexta-feira, 18, a China expressou apoio à Venezuela e lamentou as críticas dos
EUA referente à entrada do país no conselho. “O que os Estados Unidos disseram
é absolutamente injustificável. A escolha da Venezuela reflete a vontade da
comunidade internacional, é razoável e justa. Aconselhamos os EUA a não
politizar questões relacionadas aos direitos humanos”, disse o porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang.
Brasil obtém menor apoio desde a
primeira candidatura.
A reeleição do Brasil para o
conselho refletiu uma mudança na imagem do país frente aos países-membros da
ONU. O Brasil obteve a menor quantidade de votos desde que se candidatou pela
primeira vez, em 2006.
Naquele ano, o país obteve 165
votos. Em 2008, se reelegeu com 175 votos. Em 2012, o país conquistou o maior
apoio no pleito, sendo reeleito com o voto de 184 dos 193 países-membros. Tal
apoio começou a erodir em 2016, durante a gestão de Michel Temer, quando o país
obteve apenas 137 votos.

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