Evo Morales tem 45% dos votos,
contra 38% de Carlos Mesa. Observadores internacionais criticam suspensão da
transmissão da apuração dos votos.
A Bolívia pode ter um segundo
turno presidencial pela primeira vez na história do país. Com 84% das urnas
apuradas, as eleições presidenciais votadas no último domingo, 20, colocam o
atual presidente e candidato à reeleição, Evo Morales, com 45,28%, contra
38,16% de seu opositor, Carlos Mesa.
Segundo noticiou a AFP, na noite
de domingo, ambos os candidatos se pronunciaram sobre o pleito. Mesa celebrou a
ida para o segundo turno, algo que ele deu como garantido, embora analistas
políticos tenham cautela em declarar empate com o percentual de urnas apurado.
“Realizamos um triunfo
inquestionável que nos permite dizer com absoluta certeza e segurança, tanto
pela informação da mídia quanto pelo nosso próprio cálculo interno: estamos no
segundo turno”, disse o opositor.
Já Morales fez um discurso na
sede do governo, no qual declarou vitória e expressou confiança nos votos em áreas
remotas do país, que ainda estão sendo contabilizados. “O povo boliviano se
impôs para continuar com o processo de mudança”, disse Morales.
Para que vença em primeiro turno,
ele precisa de no mínimo 40% dos votos, com uma vantagem de 10 pontos percentuais
sobre Mesa. No momento, os votos em regiões rurais e remotas do país, a serem
contabilizados, têm o poder de decidir o pleito.
No entanto, a transmissão da
apuração das urnas foi interrompida na noite de domingo, o que despertou
suspeita e levou a Organização dos Estados Americanos (OEA) a cobrar uma
explicação do Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia. Pelo Twitter, a missão de
observadores internacionais que supervisiona o pleito pediu que a transmissão
do processo de contagem de votos seja retomada.
“A Missão de Observação Eleitoral
da OEA continua monitorando rigorosamente o processo eleitoral na #Bolivia.
Fundamental que o TSE explique por que a transmissão de resultados preliminares
foi interrompida e que o processo de publicação dos dados da contagem seja
retomado sem problemas”, informou a OEA.
As eleições deste ano estão sendo
consideradas as mais disputadas da história da Bolívia e ocorrem em meio a um
cenário de profunda polarização.
Morales está no poder há quase 14
anos. Ele chegou ao poder em 2006, eleito presidente com 54% dos votos. Em
2016, ele abriu uma consulta pública sobre a reeleição por prazo indefinido.
Derrotado no referendo, ele ganhou o direito de disputar a reeleição de modo
indefinido no ano seguinte, quando o Tribunal Constitucional do país aprovou a
medida, sob a justificativa de que a reeleição é um direito humano.
A vitória do presidente na
questão, no entanto, teve repercussão negativa em parte da população e foi
criticada pela oposição, que afirma que o governo Morales caminha para a
autocracia.

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