O Censo Sisan (Sistema
Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) 2025 revela que 77% das
prefeituras do Brasil adquirem alimentos produzidos pela agricultura familiar
para fornecer merenda nas escolas públicas. Esse dado faz parte de publicação
do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
(MDS).
A Região Sul se
destaca como a mais aderente à política de compra de alimentos da agricultura
familiar para a alimentação escolar, com percentuais altos no Paraná (85%), em
Santa Catarina (83%) e no Rio Grande do Sul (82%), refletindo a força histórica
da agricultura familiar na região, segundo o relatório.
A merenda escolar
abastecida com produtos da agricultura familiar, mais saudáveis, é resultado de
políticas públicas elaboradas e adotadas a partir do primeiro Governo Lula, com
a criação do Sisan, em 2006.
O Censo Sisan destaca
também o aumento da adesão dos municípios em todo o Brasil a políticas
estruturadas de combate à fome, de promoção de segurança alimentar e, também,
do estímulo à alimentação saudável. Esses municípios fazem parte da política
brasileira de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN).
Confira o relatório
completo
Como uma das mais
importantes ferramentas do SAN, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA),
também apresentou maior aderência dos municípios brasileiros nos anos recentes.
Segundo o relatório, 55% dos municípios declaram adquirir alimentos via PAA.
Essas cidades destinam os alimentos à rede socioassistencial local, a bancos de
alimentos, restaurantes populares e cozinhas comunitárias.
A aquisição de
alimentos para merenda escolar, abrigada sob o PAA, é organizada
especificamente pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Esse
programa é financiado pelo Governo Federal, com recursos do Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE), que são repassados a estados e municípios.
Uma das exigências é
que ao menos 30% dos alimentos servidos na merenda sejam adquiridos da
agricultura familiar. As cidades não são obrigadas a aderir ao PNAE.
Adesão das cidades ao
sistema
Essa política do Sisan
retomou sua força após 2023. Os números demonstram: em 2018, apenas 36,6% dos
municípios informavam possuir algum tipo de estrutura organizacional dedicada
ao tema. Já em 2024, esse percentual alcançou 51% dos municípios (2.826),
representando um avanço de cerca de 14 pontos percentuais.
Movimento semelhante é
observado nas instâncias de participação social: os Conselhos Municipais de
Segurança Alimentar e Nutricional, presentes em 36,4% dos municípios em 2018
(2.030), passaram para 44,9% em 2023, e atingiram 51,4% em 2024 (2.851
municípios). O crescimento é superior a 15 pontos percentuais em seis anos, com
aceleração a partir de 2023.
O Censo apresenta uma
análise aprofundada dos dados do Suplemento de Segurança Alimentar e Nutricional
da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic 2024), realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
(MDS).
Saiba mais sobre o SAN
O relatório produz um
diagnóstico abrangente e atualizado sobre o estágio de institucionalização da
SAN nos municípios brasileiros, sistematizando informações relativas à
existência de órgãos gestores, instâncias de governança, instrumentos legais,
ações desenvolvidas, equipamentos públicos e fontes de financiamento voltadas à
política municipal de segurança alimentar e nutricional.
Segundo a secretária
extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, o Censo
Sisan mostra que o Brasil voltou a investir na reconstrução de suas capacidades
institucionais, como a retomada da coordenação nacional e da indução federativa
no âmbito do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan).
Os dados deixam claro
que estamos no caminho certo e que cada vez mais crianças, mulheres, homens e
famílias inteiras passaram a ter comida na mesa, dignidade e perspectiva. A redução
da fome não é um dado abstrato, é a vida concreta sendo transformada”, afirmou
Burity.
O avanço expressivo é
o das estruturas de coordenação intersetorial e na base legal da política de
Segurança Alimentar e Nutricional. As Câmaras Intersetoriais de Segurança
Alimentar e Nutricional (Caisan) estavam presentes em 11,2% dos municípios em
2018 (622); esse percentual subiu para 18,6% em 2023 e alcançou 24,5% em 2024
(1.358 municípios), mais que dobrando a cobertura em relação ao período
anterior à desconstrução institucional.
As leis municipais de
SAN seguiram trajetória semelhante: de 20,9% dos municípios em 2018, avançaram
para 33% em 2023 e chegaram a 36,3% em 2024, consolidando um crescimento
superior a 15 pontos percentuais.
“Esses resultados confirmam
que o ciclo de reconstrução iniciado em 2023 não apenas reverteu o cenário de
fragilização institucional, como colocou o Sisan em uma trajetória sustentada
de fortalecimento nos territórios”, avaliou a secretária do MDS.
Para Valéria Burity, a
análise dessas dimensões permite compreender o grau de organização
institucional dos municípios, identificar assimetrias regionais e reconhecer
fatores que influenciam a efetividade da política pública.
“Ao apresentar os
resultados por Unidade da Federação (UF), o Censo Sisan oferece uma visão
territorializada e comparável, fundamental para subsidiar pactuações
interfederativas e orientar estratégias de apoio técnico e financeiro da União
junto aos estados e municípios”, prosseguiu.
20 anos
O Censo incorpora uma
breve perspectiva histórica, complementando os dados de 2024 com os dados das
edições da Munic de 2018 e 2023. O relatório é lançado em um momento simbólico
para a política de SAN no país. Em 2026, o Sisan completa 20 anos de existência
desde a promulgação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Lei
nº 11.346 de 15 de setembro de 2006) .
A norma instituiu o
Sisan no Brasil com o objetivo principal de garantir o Direito Humano à
Alimentação Adequada (DHAA), assegurando acesso regular e permanente a
alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem comprometer outras
necessidades.
https://www.gov.br/mds/pt-br/caisan/monitoramento-da-san/censo-sisan/2024.pdf