Foi divulgado, na última
terça-feira (21), o informe semanal Monitoramento de Incêndios Florestais para
Vigilância em Saúde. A publicação reúne informações sobre focos de calor,
qualidade do ar e população potencialmente exposta à fumaça, permitindo acompanhar
os possíveis impactos dos incêndios florestais na saúde da população.
A publicação integra o
AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, e
oferece informações para subsidiar a atuação das equipes de vigilância em saúde
e do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos efeitos de eventos climáticos
sobre a saúde. Neste período, 15 estados entraram na lista de 1.153 focos de
calor. As unidades mais afetadas estão apresentadas no gráfico compartilhado.
O monitoramento ocorre
durante a atuação do El Niño, fenômeno climático que pode alterar os padrões de
chuva e temperatura no país. Dependendo da intensidade e da região, o fenômeno
pode favorecer períodos de estiagem, temperaturas mais elevadas e condições
propícias à ocorrência e propagação de incêndios florestais. A redução da
umidade do ar também pode intensificar os efeitos da fumaça sobre a saúde.
Recomendações gerais
• Acompanhar previsões
meteorológicas, boletins e alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar.
• Manter acessíveis os
contatos de emergência (resgate, atendimento médico, bombeiros).
• Seguir as instruções
dos órgãos locais de gerenciamento de emergências.
• Aumentar a ingestão
de água e líquidos para manter as vias respiratórias hidratadas e protegidas
• Planejar a redução
das saídas de casa e, se necessário, providencie a estocagem de suprimentos
essenciais como alimentos e remédios.
• Para saídas
necessárias, orientar sobre o uso preferencial de máscaras do tipo N95, PFF2 ou
P100, que devem ser utilizadas corretamente, cobrindo nariz e boca, e ajustadas
ao rosto. A máscara deve ser mantida limpa, seca e substituída sempre que
estiver danificada, úmida ou com uso prolongado. No entanto, a principal
recomendação continua sendo a permanência em ambientes internos bem protegidos
da fumaça.
• Planejar as
atividades diárias com base nas informações oficiais sobre os horários de maior
ocorrência de fumaça no intuito de minimizar a exposição.
Em circunstâncias
extremas, uma das recomendações é o uso da máscara facial
• Evitar esforços
físicos pesados e exercícios ao ar livre quando a qualidade do ar estiver
comprometida pela fumaça. Recomenda-se, ainda, evitar atividades físicas em
horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre as 12 e 16
horas, quando as concentrações de ozônio são mais elevadas.
• Manter portas e
janelas fechadas em residências, escolas e ambientes de trabalho nos períodos
de maior poluição. A permanência deve ser em local ventilado, preferencialmente
com ar-condicionado ou purificadores de ar.
• Ao dirigir, manter
as janelas fechadas e o ar-condicionado em modo de recirculação.
Não atiçar o fogo
• Evitar atividades
que aumentem a poluição do ar intradomiciliar, como:
– preparo de alimentos
em fogões à lenha ou outros tipos de fornos que utilizem energia não limpa como
combustível (madeira, carvão, restos de vegetais, querosene, etc.) ou que
tenham sistema de exaustão deficiente;
– aquecimento e
iluminação da casa com lareiras à lenha, vela, lamparinas etc.;
– uso de tabaco
(cigarro).
• Redobrar a atenção
ao dirigir quando a visibilidade estiver alterada pela fumaça. Caso seja
absolutamente essencial dirigir, manter as janelas fechadas e ligar o ar
condicionado no modo de recirculação para evitar a entrada de ar contendo
fumaça no interior do veículo.
• Para usuários de
ar-condicionado, instruir sobre a importância de fechar a entrada de ar externo
e manter os filtros limpos.
• Orientar para que a
limpeza de cinzas seja feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de
pó comuns que podem dispersar partículas finas.
• Realizar aceiros
(desbaste de um terreno em volta de propriedades, matas e coivaras) preventivos
para impedir propagação de incêndio. A largura do aceiro é ditada pelo tipo de
vegetação, o terreno, a intensidade do incêndio e as condições climáticas.
Limpeza de cinzas deve
ser feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns que
podem dispersar partículas finas
• Nunca atirar bitucas
ou cigarros ou fósforos acesos na vegetação.
• Não soltar balões ou
fogos de artifícios.
• Não acender
fogueiras.
• Não transportar ou
manusear líquidos inflamáveis;
Recomendações para
crianças e idosos
• Crianças menores de
5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes devem redobrar a atenção às
recomendações gerais e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas
respiratórios ou outras ocorrências de saúde.
• Indivíduos com
comorbidades (cardíacas, respiratórias, imunológicas) devem ser orientados a
buscar atendimento para atualizar seus planos de tratamento, manter
medicamentos disponíveis, procurar auxílio médico em caso do agravamento do
quadro clínico e considerar, se possível, o afastamento temporário das áreas
afetadas.
Partículas danosas
Entre os indicadores
acompanhados está o material particulado fino (MP2,5), um tipo de poluente
atmosférico formado por partículas muito pequenas, com diâmetro de até 2,5
micrômetros, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e
associado a impactos respiratórios e cardiovasculares.
A partir das
informações reunidas no informe, é possível identificar municípios e regiões
com maior exposição à fumaça e que demandam atenção das equipes de vigilância
em saúde, especialmente quando há persistência de níveis elevados de poluição
do ar. Os dados também permitem dimensionar a exposição de grupos mais
vulneráveis, como crianças e pessoas idosas.
A exposição prolongada
a altas concentrações de MP2,5 pode agravar doenças respiratórias e
cardiovasculares preexistentes e aumentar a ocorrência de atendimentos e
hospitalizações. Por isso, o monitoramento das condições ambientais contribui
para orientar medidas de prevenção, comunicação de risco e organização da
resposta do SUS.
El Niño
O El Niño,
caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial,
está em curso e tem previsão de permanência até o início de 2027. As projeções
indicam a possibilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura em
diferentes regiões do Brasil nos próximos meses.
Para o trimestre de
julho, agosto e setembro de 2026, as previsões indicam chuvas acima da média na
Região Sul e abaixo do esperado no Centro-Norte do país, além de temperaturas
mais elevadas que o normal em praticamente todo o território nacional. O
cenário pode aumentar a possibilidade de ondas de calor, períodos de estiagem e
ocorrência de incêndios florestais em áreas mais secas.
Historicamente,
episódios de El Niño provocam impactos diferentes conforme a intensidade do
fenômeno e a região do país. Entre os efeitos observados estão alterações no
regime de chuvas, períodos de calor intenso, estiagem e, em algumas áreas,
ocorrência de chuvas intensas e enchentes.
O Ministério da Saúde
também dispõe de outras ferramentas para acompanhar os efeitos dos eventos
climáticos sobre a saúde. Entre elas está o Painel de Excesso de Calor, que
monitora diariamente as condições térmicas nos municípios brasileiros. As
informações apoiam a identificação de áreas com maior risco para a saúde e
subsidiam a emissão de alertas e o planejamento de ações de vigilância e
assistência durante períodos de calor intenso.
Como reduzir os
impactos da fumaça dos incêndios florestais?
A fumaça dos incêndios
florestais pode afetar a saúde, especialmente em períodos de piora da qualidade
do ar. Para orientar a população, o Ministério da Saúde disponibiliza o
documento “Queimadas e Incêndios Florestais – Alerta de Risco Sanitário e Recomendações
para a População” , que reúne medidas para reduzir a exposição à fumaça e seus
impactos.
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia-ambiental/queimadas-e-incencios-florestais-2a-edicao.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/saude-ambiental/vigiar/monitoramento-de-incendios-florestais/2026/informe-monitoramento-de-incendios-florestais-se-27.pdf