O Governo do Brasil
anuncia nesta segunda-feira (27/4) em Andradina (SP) a destinação de R$ 450
milhões em crédito rural subsidiado para o Programa Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar – Pronaf Mais Leite, estratégia voltada à ampliação da produtividade
da cadeia leiteira na agricultura familiar.
A iniciativa está
estruturada a partir do Programa Nacional de Transferência de Embriões da
Agricultura Familiar, que facilita o acesso à transferência de embriões, com
foco no melhoramento genético dos rebanhos e no aumento da produção de leite. A
cadeia do leite é uma das principais atividades da agricultura familiar
brasileira, com forte presença territorial e papel estratégico na geração de
renda.
A ministra do
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou a
importância estrutural do setor para a economia do país.
O Brasil é um dos
maiores produtores de leite do mundo, com mais de 1 milhão de propriedades
rurais. Destas, aproximadamente 950 mil são da agricultura familiar,
responsável por mais da metade da produção nacional. Por isso, o Governo do
Brasil, por meio do MDA, tem investido cada vez mais para fortalecer o setor”,
afirmou a ministra
Tecnologia e
produtividade
O Programa Nacional de
Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, lançado no último Plano
Safra, é o eixo do Pronaf Mais Leite e facilita o acesso à tecnologia de
melhoramento genético por meio do crédito rural subsidiado. A tecnologia tem
potencial para elevar a produção por animal de níveis médios de 3 a 8 litros de
leite por dia para patamares entre 15 e 30 litros, além de contribuir para a
valorização econômica do rebanho. Além dos impactos econômicos, a iniciativa
contribui para a intensificação sustentável da produção, com maior produção por
animal e menor necessidade de expansão de áreas de pastagem.
Crédito e acesso
O programa será
executado com apoio de cooperativas, instituições financeiras, laboratórios
especializados e serviços de assistência técnica e extensão rural (Ater),
garantindo a integração entre tecnologia e organização produtiva. O acesso será
viabilizado por meio das linhas de crédito do Pronaf Mais Leite, com condições
diferenciadas para investimento no melhoramento genético e na estrutura
produtiva da cadeia leiteira.
Entre as principais
linhas disponíveis estão:
– Pronaf Mais
Alimentos, com juros de 3% ao ano, prazo de até 8 anos e limite de até R$ 250
mil por produtor;
– Pronaf A, voltado à
reforma agrária e públicos específicos, com juros de 0,5% ao ano, prazo de até
10 anos e limite de até R$ 50 mil;
– Pronaf B,
direcionado a pequenos produtores de baixa renda, também com juros de 0,5% ao
ano e limite de até R$ 12 mil.
Para cooperativas,
destacam-se:
– Pronaf Mais
Alimentos, com limite de até R$ 8 milhões e juros de 3%;
– InvestAgro –
Renovagro, com limite de até R$ 5 milhões e juros de 8,5% ao ano.
O crédito poderá ser
utilizado tanto para a aquisição e transferência de embriões quanto para
investimentos complementares na propriedade, como alimentação, manejo e
infraestrutura produtiva. Para acessar o
crédito o produtor deve procurar sua cooperativa ou uma instituição financeira
para a elaboração do projeto e a contratação da operação.
Além do crédito, o
programa é composto por chamadas públicas de assistência técnica voltadas à
cadeia do leite, projetos de fortalecimento produtivo no âmbito do programa Da
Terra à Mesa, crédito instalação para beneficiários da reforma agrária e
parcerias com instituições de ciência e tecnologia. As cooperativas terão papel
central na organização da demanda, na elaboração dos projetos de crédito e na
disseminação da tecnologia entre os produtores.
Tecnologia e gestão
para fortalecer as bacias leiteiras em todo o país
O Ministério do
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio da Anater,
lançou um edital estratégico de R$ 28,5 milhões destinado à Assistência Técnica
e Extensão Rural (Ater) para o setor leiteiro. A iniciativa, defendida pelo
então ministro Paulo Teixeira como um pilar de soberania alimentar e geração de
renda, beneficiará diretamente 4.050 famílias em todo o território nacional. O
programa vai além da orientação básica, focando na qualificação da gestão de
cooperativas e na democratização do acesso a tecnologias de ponta, como a
transferência de embriões, permitindo que o pequeno produtor alcance níveis de
eficiência produtiva antes restritos ao grande agronegócio.
“Lançamos também esta
chamada de R$ 28,5 milhões para a qualificação da gestão das cooperativas e
ampliação do acesso à tecnologia de transferência de embriões. Nosso foco é a
inclusão produtiva e garantir que o conhecimento técnico chegue onde o Brasil
mais precisa, transformando a realidade das unidades familiares”, concluiu a
ministra Fernanda Machiaveli.
A estratégia
operacional foi desenhada para respeitar as regionalidades brasileiras,
dividindo o investimento em 27 lotes que cobrem todos os estados e o Distrito
Federal. Com um prazo de execução de 18 meses, o projeto prioriza a inclusão
produtiva de públicos vulneráveis, como assentados da reforma agrária,
comunidades tradicionais e pescadores artesanais. “Nosso objetivo é garantir
que o conhecimento técnico chegue onde o Brasil mais precisa, transformando a
realidade das unidades familiares com um acompanhamento qualificado e metodologias
que respeitem a cultura local de cada região”, destacou Teixeira, reforçando o
compromisso da pasta com a modernização do campo.
Histórico e avanços
O anúncio ocorre em um
contexto de ampliação do crédito rural para a cadeia do leite no âmbito do
Pronaf. Desde 2023 até março de 2026, o programa disponibilizou R$ 33,9 bilhões
em financiamentos para a cadeia produtiva do leite, distribuídos em cerca de
777,7 mil operações. Desse total, aproximadamente R$ 20,2 bilhões foram
destinados ao custeio da produção, R$12,6 bilhões a investimentos produtivos e
cerca de R$1 bilhão à industrialização, fortalecendo diferentes etapas da
cadeia leiteira. Em comparação com o período anterior, o volume de crédito para
a atividade registrou crescimento de 81%.