O governo precisa que o Congresso
aprove até meados de junho o crédito suplementar de R$ 248 bilhões para não
prejudicar programas vinculados a esses recursos, como Plano Safra, afirmou o
secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, nesta quarta-feira (29). O
projeto que pede o dinheiro adicional foi enviado ao Congresso em março. O
texto solicita crédito de R$ 248,9 bilhões para 2019, incluindo R$ 201,7
bilhões para benefícios previdenciários do RGPS (Regime Geral de Previdência
Social) e R$ 30 bilhões para o pagamento de BPC (Benefício de Prestação
Continuada), destinado a idosos e deficientes em condição de miserabilidade. Há
ainda recursos para o Bolsa Família e outros subsídios. "Se ele não for
aprovado até aí, vamos começar a ter problemas com algumas despesas.
Eventualmente você pode remanejar alguma coisa, mas vai ficar difícil",
reconheceu Mansueto. Despesas que dependem de crédito orçamentário, mesmo que o
pagamento ocorra depois, precisam ter todo o crédito disponível, complementou. "O
Plano Safra poderia ter um problema de atraso. Ele ocorre ao longo de 12 meses,
mas, para começar o Plano Safra, precisa ter todo o crédito",
exemplificou. Em participação na comissão mista do Orçamento, no último dia 14,
o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que, sem a aprovação da proposta de
lei que trata desse crédito, os subsídios parariam em junho. O Bolsa Família
teria fôlego até setembro, enquanto os benefícios beneficiários acabariam em
agosto. O acordo está sendo construído politicamente entre governo e Congresso,
segundo o secretário. "A base do governo está conversando com os políticos
da comissão mista do Orçamento, com o relator (deputado Hildo Rocha/MDB-MA),
com o presidente da comissão (Marcelo Castro/MDB-PI)", afirmou Mansueto: "Isso
será resolvido no devido tempo". O secretário disse que R$ 248 bilhões é a
margem de segurança do governo. O mínimo necessário seriam R$ 146,7 bilhões. O
crédito suplementar precisa ser aprovado por pelo menos 257 deputados e 41
senadores. Vincular despesas como BPC, Previdência, Bolsa Família e subsídios à
autorização pedida ao Congresso foi uma decisão do governo do ex-presidente
Michel Temer (MDB), durante a elaboração do Orçamento de 2019. A antiga gestão
acreditava que quem fosse eleito não teria dificuldade em receber o sinal verde
dos parlamentares para conseguir recursos destinados a essas áreas sociais. O
dinheiro teria então de ser usado para esses setores, cumprindo o previsto no
Orçamento e no projeto que está no Congresso.
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