Alvo de pressões políticas, a
decisão sobre a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da
cela especial montada na sede da Polícia Federal em Curitiba só sai após
decisão do Supremo Tribunal Federal, marcada para abril, sobre a execução da pena
após condenação em segunda instância. Apesar disso, autoridades envolvidas no
caso já especulam sobre os possíveis destinos do ex-presidente. Uma das
possibilidades é a federalização de uma área em um presídio estadual. Outra
possibilidade é a remoção de Lula para uma sala de Estado-Maior em uma unidade
militar, em São Paulo, próximo de seu domicílio, ou em Curitiba, no quartel do
Exército, localizado no bairro Pinheirinho, área central da cidade. A
transferência de Lula voltou ao debate político nos últimos dias, após a
segunda condenação do ex-presidente na Operação Lava Jato, no caso do sítio de
Atibaia (SP). Políticos da bancada anti-PT e aliados do governo Jair Bolsonaro
(PSL) cobraram a remoção do petista, após a juíza Gabriela Hardt decretar mais
12 anos e 10 meses de prisão à sua pena que era de 12 anos e 1 mês. Nos dias
que precederam a condenação circulou uma mensagem nos grupos de WhatsApp do PT
dizendo que já havia uma cela reservada para o ex-presidente na Complexo Médico
Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Isso fez acender a luz
de alerta no partido. Em Pinhais, Lula seria submetido a um regime de preso
comum, conviveria com outros detentos, não teria direito a visitas privadas,
algo que não está previsto nas hipóteses estudadas até aqui. Vários fatores
além do julgamento no STF influirão nessa decisão, segundo apurou o jornal O
Estado de S. Paulo. A confirmação ou não da nova sentença pela segunda
instância da Lava Jato, a identificação de um local com condições de segurança
e estrutura para o regime especial que o petista tem direito e a vontade do
próprio condenado devem ser considerados. Aliados de Lula se recusam a comentar
a possibilidade de transferência. “A única hipótese que avaliamos é a de Lula
sair de Curitiba e voltar para casa, livre”, disse o presidente do Instituto
Lula, Paulo Okamotto. O ex-presidente já disse a mais de um visitante que não
gostaria de sair da PF em Curitiba. Sua defesa já se manifestou em 2018 sobre o
assunto: não quer sair de sua cela especial na PF. Mas, se tiver de ser
removido, que seja para uma sala de Estado-Maior em unidade das Forças Armadas
em São Paulo, perto de sua residência.
As informações são do jornal O Estado de S.
Paulo.

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