Fórmula foi descoberta em Campinas (SP) e maioria dos
ingredientes podem ser provenientes de reaproveitamento.
Uma supercola criada a partir do
bagaço da cana-de-açúcar foi descoberta, por acidente, no Centro Nacional de
Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). Dos seus três
ingredientes, dois deles podem ser provenientes de reaproveitamentos. Isso
porque, para criar a supercola, foram usados látex, nanocelulose e lignina.
Destes, apenas o látex não é facilmente reaproveitado, já que é possível
conseguir a nanocelulose e a lignina em indústrias de papel e refinarias de
cana-de-açúcar. “Uma das vantagens é que esses dois últimos elementos são
muitas vezes descartados em larga escala por indústrias de papel e refinarias
de cana-de-açúcar. Reaproveitar o que seria descartado é sustentável e ainda
deve baratear a produção”, apontou a pesquisadora Rubia Gouveia, do Laboratório
Nacional de Nanotecnologia, à BBC. Segundo Fabiano Rosso, gerente de pesquisa
do Projeto Lignina da Suzano Papel e Celulose – a maior produtora de papéis de
imprimir e escrever da América Latina -, 3% de toda a lignina produzida pela
fábrica em Limeira (SP) – o que equivale a aproximadamente 20 mil toneladas –
começará a ser separada, modificada e vendida para fábricas de madeira a partir
deste semestre. O que não for comercializado será queimado para que o vapor
possa produzir energia. Atualmente, a energia é o suficiente para abastecer a
fábrica e o excedente é vendido. No entanto, ao saber sobre as pesquisas da
supercola, Rosso se animou, mostrando interesse no trabalho. “Eu não conheço
essa pesquisa, mas vou procurar saber e entender sua aplicação e o que os
pesquisadores estão fazendo. Eu tenho interesse não só pela aplicação, mas
também pela fabricação desse produto final. Eu vejo esse como um caminho
bastante viável para produzir em larga escala”, disse à BBC.
Por acidente
A supercola, porém, foi
descoberta por acidente. Naima Orra, na época estagiária da CNPEM, tentou lavar
equipamentos de pesquisa, mas a fórmula tinha ficado grudada nas hélices. Esse
material pegajoso, depois de um mês de pesquisa, se mostrou uma cola atóxica
potente. Atualmente, Naima Orra faz mestrado na França. Depois de conversarem,
Rubia Gouveia passou a orientar Naima. Com as duas trabalhando juntas, a
supercola chegou a sua fórmula final e foi patenteada no Brasil neste ano. Em
2019, a fórmula poderá ser patenteada também no exterior. A cola, caso venha a
ser comercializada no futuro, pode beneficiar diferentes tipos de indústria,
como a automobilística e de construção civil, devido a potência do material. Em
testes de tração feitos em laboratório, a supercola mostrou forte aderência em
papéis, madeiras e alumínios. Além de novos testes, em diferentes temperaturas,
já estarem programados para serem feitos, as pesquisadoras pretendem fazer
novas adaptações na fórmula da supercola para que ela seja capaz de colar
vidros, beneficiando outros setores. “É possível fazer modificações para
adequar seu uso em diferentes situações. Desta forma, a cola poderia ser usada
desde indústrias automobilísticas, móveis, de tecidos a até mesmo em escolas e
escritórios”, explicou Rubia Gouveia.

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