O SIGNIFICADO DA VIDA

segunda-feira, 9 de julho de 2018

DESCOBERTA POR ACIDENTE: Supercola é criada do bagaço da cana.



Fórmula foi descoberta em Campinas (SP) e maioria dos ingredientes podem ser provenientes de reaproveitamento.

Uma supercola criada a partir do bagaço da cana-de-açúcar foi descoberta, por acidente, no Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). Dos seus três ingredientes, dois deles podem ser provenientes de reaproveitamentos. Isso porque, para criar a supercola, foram usados látex, nanocelulose e lignina. Destes, apenas o látex não é facilmente reaproveitado, já que é possível conseguir a nanocelulose e a lignina em indústrias de papel e refinarias de cana-de-açúcar. “Uma das vantagens é que esses dois últimos elementos são muitas vezes descartados em larga escala por indústrias de papel e refinarias de cana-de-açúcar. Reaproveitar o que seria descartado é sustentável e ainda deve baratear a produção”, apontou a pesquisadora Rubia Gouveia, do Laboratório Nacional de Nanotecnologia, à BBC. Segundo Fabiano Rosso, gerente de pesquisa do Projeto Lignina da Suzano Papel e Celulose – a maior produtora de papéis de imprimir e escrever da América Latina -, 3% de toda a lignina produzida pela fábrica em Limeira (SP) – o que equivale a aproximadamente 20 mil toneladas – começará a ser separada, modificada e vendida para fábricas de madeira a partir deste semestre. O que não for comercializado será queimado para que o vapor possa produzir energia. Atualmente, a energia é o suficiente para abastecer a fábrica e o excedente é vendido. No entanto, ao saber sobre as pesquisas da supercola, Rosso se animou, mostrando interesse no trabalho. “Eu não conheço essa pesquisa, mas vou procurar saber e entender sua aplicação e o que os pesquisadores estão fazendo. Eu tenho interesse não só pela aplicação, mas também pela fabricação desse produto final. Eu vejo esse como um caminho bastante viável para produzir em larga escala”, disse à BBC.
Por acidente
A supercola, porém, foi descoberta por acidente. Naima Orra, na época estagiária da CNPEM, tentou lavar equipamentos de pesquisa, mas a fórmula tinha ficado grudada nas hélices. Esse material pegajoso, depois de um mês de pesquisa, se mostrou uma cola atóxica potente. Atualmente, Naima Orra faz mestrado na França. Depois de conversarem, Rubia Gouveia passou a orientar Naima. Com as duas trabalhando juntas, a supercola chegou a sua fórmula final e foi patenteada no Brasil neste ano. Em 2019, a fórmula poderá ser patenteada também no exterior. A cola, caso venha a ser comercializada no futuro, pode beneficiar diferentes tipos de indústria, como a automobilística e de construção civil, devido a potência do material. Em testes de tração feitos em laboratório, a supercola mostrou forte aderência em papéis, madeiras e alumínios. Além de novos testes, em diferentes temperaturas, já estarem programados para serem feitos, as pesquisadoras pretendem fazer novas adaptações na fórmula da supercola para que ela seja capaz de colar vidros, beneficiando outros setores. “É possível fazer modificações para adequar seu uso em diferentes situações. Desta forma, a cola poderia ser usada desde indústrias automobilísticas, móveis, de tecidos a até mesmo em escolas e escritórios”, explicou Rubia Gouveia.

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