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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

NOTA DE ESCLARECIMENTO


NOTA DE ESCLARECIMENTO

Açailândia: Piquiá de Baixo luta há 10 anos por reassentamento longe da poluição

A Associação Comunitária dos Moradores de Pequiá (ACMP), citada na matéria “Açailândia: Processo de Realocação das Famílias do Pequiá de Baixo continua se arrastando”, publicada no Jornal Pequeno, edição de 18 de janeiro de 2018, página 6, caderno “Estado”, vem esclarecer e contestar a forma como os fatos foram apresentados, atribuindo culpa e responsabilidade à comunidade pelas demandas que as empresas de ferro gusa têm que responder junto aos órgãos ambientais e à sociedade.
A matéria, assinada pela Coordenadoria de Comunicação e Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) questiona o processo, ainda não concluído de reassentamento, além de deslegitimar o direito de manifestação e resistência da comunidade. São 312 famílias, não 314 como cita a matéria. Os primeiros moradores de Piquiá de Baixo ali chegaram iniciando uma formação comunitária já em 1958, sendo que só no período de 1984 e 1988 é que as empresas siderúrgicas e a Estrada de Ferro Carajás iniciaram sua implantação e operação nesse espaço. É desrespeitosa e inverídica a informação de que a comunidade ocupou de forma irregular o espaço industrial de Piquiá, quando 30 anos antes das empresas chegarem já havia uma comunidade em formação nesse território.
Os investimentos a que a matéria se refere, na fala do Presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Maranhão (SIFEMA), Claudio Azevedo, só ocorreram após manifestações e cobranças por parte dos moradores, do Ministério Público, da Defensoria Pública e de órgãos internacionais de proteção aos direitos humanos nos âmbitos da ONU e da OEA. A poluição e os danos ambientais que a matéria qualifica levianamente como "supostos" vêm sendo atestados em diversos estudos técnicos realizados por profissionais independentes, pelo menos desde 2007.
Há mais de 10 anos a comunidade de Piquiá de Baixo vem travando uma luta para ser reassentada em local longe da poluição. O processo poderia ter sido mais ágil se não fosse a resistência das empresas em reconhecer sua responsabilidade e em efetivar sua participação na composição dos recursos para o reassentamento, que tem sua base de monitoramento e coordenação no Inquérito Civil Público n. 001/2011 que tramita na 2.ª Promotoria de Justiça, em Açailândia. A falta de alternativas obrigou os moradores a pleitearem, por meio de sua associação, recursos públicos do Programa Minha Casa Minha Vida.
Entre 2007 e 2012, a luta da comunidade foi para formar uma mesa de negociação onde estivessem presentes as siderúrgicas, a Vale S.A., o Município e o Estado. Alguns acordos foram firmados. Só em 2013 a Associação teve condições técnicas e financeiras de apresentar o projeto para aprovação na prefeitura local. Em 2014 o projeto básico foi apresentado e aprovado pela Caixa Econômica Federal e em 2015 foi selecionado pelo Ministério das Cidades, o que garantiu cerca de 60% dos recursos (públicos) necessários à construção do novo bairro, que já tem nome registrado em cartório: Piquiá da Conquista. O terreno para o reassentamento foi obtido após uma longa batalha em ação judicial de desapropriação, concluída em 2015. O novo espaço terá que receber toda a infraestrutura a que as famílias têm direito e serão necessários R$ 29 milhões, sendo que desse montante apenas R$ 2 milhões e 130 mil (7,5%) foram aportados pelas empresas siderúrgicas, através do  Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Maranhão (SIFEMA). Há ainda a promessa de aporte da Vale S.A. e Fundação Vale no valor total de R$ 6 milhões e 240 mil (22%).
Cabe recordar que a empresa Gusa Nordeste S.A., citada na matéria, foi condenada em primeira e segunda instâncias em 21 ações judiciais iniciadas em 2005 e tem abusado de recursos processuais para procrastinar o pagamento das indenizações impostas pelo Poder Judiciário.
Além disso, como consta em matéria do Jornal O Estado de São Paulo, de 17 de agosto de 2017, assinada por Luiz Vassallo e Julia Affonso, cujo título é “Promotoria acusa ‘Bento Camarão’ e mais 9 políticos de Açailândia por propina de R$ 5 mil”, a mesma empresa foi apontada como protagonista em escândalo de corrupção para a obtenção de incentivos fiscais: "O Ministério Público do Maranhão propôs Ação Civil Pública contra 12 investigados, entre eles 10 vereadores da Comarca de Açailândia, a 600 quilômetros da capital São Luís, que teriam recebido propina de R$ 5 mil cada, em 2013, para a Câmara Municipal aprovar um projeto de lei de concessão de incentivos fiscais à empresa Gusa Nordeste S/A."
Sobre a situação do processo de reassentamento junto à Caixa Econômica Federal: em 29 de abril de 2016, a Associação assinou com a Caixa o contrato da 1.ª fase do projeto, que compreende a elaboração, análise e aprovação do projeto executivo da obra. Essa demanda só foi concluída em novembro de 2017, quando um grupo de 50 moradores de Piquiá de Baixo ocupou a frente da Superintendência da Caixa, em São Luís, exigindo a conclusão da análise, com celeridade. Atualmente, a Associação aguarda as definições do Ministério das Cidades, que nas próximas semanas deve publicar portaria de seleção complementar do projeto e garantir a complementação de recursos solicitada.
Apesar dos insistentes pedidos da ACMP, não há comprovação de cumprimento pelas empresas das normas ambientais vigentes, em especial da Portaria 111/2008 da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e o Decreto Estadual 29.669/2013, que impuseram às empresas siderúrgicas a implantação de tecnologias e equipamentos para controle de emissões atmosféricas, entre outras medidas de mitigação de impactos. Enquanto o novo bairro não é construído, a população de todo o Piquiá continua sofrendo com a forte poluição que afeta muito mais do que as 312 famílias de Piquiá de Baixo cadastradas no projeto do reassentamento.
Associação Comunitária dos Moradores de Pequiá
Assessoria de Comunicação
Rede Justiça nos Trilhos
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