Montadoras do país voltam a
registrar crescimento após quatro anos de queda. Vendas devem chegar a 2,24
milhões de veículos.
Após um período de quatro anos de
quedas, a indústria automobilística volta a registrar um crescimento nas
vendas. Em 2017, o setor contabilizou um aumento de 9% em relação ao ano
passado, superando as expectativas das montadoras. Com isso, o setor deve
fechar o ano com cerca de 2,240 milhões de veículos vendidos. Até o último dia
26 foram vendidos 2,206 milhões de automóveis, veículos comerciais leves,
caminhões e ônibus, superando a marca de 2016, quando 2,050 milhões de unidades
saíram das montadoras. Somente no mês de dezembro, foram 178,9 mil unidades e a
previsão é fechar com cerca de 210 mil unidades vendidas, se for mantida a
média de vendas diárias até o fim do mês. Além das vendas, o setor
automobilístico também registrou um “boom” na produção de veículos em 2017.
Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea) até novembro, cerca de 2,486 milhões de veículos foram produzidos nas
fábricas do país – uma alta de 27,1% ante a 2016. Tendo em vista a baixa
expectativa das montadoras no início de 2017, os resultados registrados são surpreendentes.
Nos primeiros meses do ano, a Anfavea previa um crescimento de apenas 4% nas
vendas, mas chegou a refazer as contas em setembro, alterando a previsão para
7,3%. Em novembro, o presidente da entidade, Antonio Megale, admitiu que a alta
seria ainda maior. Para analistas, a retomada no mercado automobilístico é
fruto da melhora na economia do país, sobretudo a partir do segundo semestre.
“Essa retomada veio para ficar, pois tem como base a melhora da renda do
consumidor, do emprego e do crédito, e não de artificialismos do governo”,
explica João Morais, economista da Tendências Consultoria, em entrevista ao
jornal Estado de S. Paulo. Assim como a Anfavea, que vê 2018 com otimismo,
Morais projeta uma alta na venda de veículos ainda maior para o próximo ano, chegando
na casa dos 15%. Para ele, o crescimento do setor virá acompanhado pelo aumento
no consumo em geral. Morais ainda considera que o setor voltará a registrar
vendas na casa dos 3 milhões de veículos a partir de 2020 – a indústria
ultrapassou esse volume entre 2009 e 2014.
Fábricas a todo vapor.
A retomada no setor de automóveis
levou muitas fábricas que operavam com atividade reduzida a voltar a contratar
funcionários e ampliar os turnos de trabalho. Depois de passar por cortes na
produção e demitir 30,6 mil funcionários a partir de 2014, o setor abriu 5,1
mil vagas de emprego em 2017. “Pela primeira vez no ano ultrapassamos o
emplacamento diário (calculado sobre os dias úteis) de 10 mil unidades”,
explicou Mengale – em novembro, o emplacamento correspondeu a 10,2 mil unidades
por dia útil ante uma média de 6 mil veículos no início do ano.

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