A criação de novos municípios, como a que o Congresso
permitiu ontem, pode fazer sentido do ponto de vista administrativo, porque são
os prefeitos que conhecem mais de perto as necessidades da população.
As regras brasileiras, no entanto, estimulam a existência de
prefeituras sem nenhuma capacidade de gerar receitas, vivendo eternamente dos
repasses do Estado e do governo federal.
Dados reunidos no mês passado pelo governo federal mostram
que, de um total de 4.581 municípios com dados disponíveis, 2.546 (56%) geraram
menos de 10% de suas receitas no ano passado.
Um levantamento feito pela Firjan (Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro) sobre o ano de 2011 mostrou que, em 84% das
prefeituras do país, os repasses estaduais e federais respondiam por mais de
80% das receitas.
É natural que municípios recebam recursos de outros entes da
federação, porque sua capacidade de tributar é limitada. Mesmo uma metrópole
como São Paulo depende de repasses federais e, principalmente, estaduais para
um terço de seu Orçamento.
Mas a disponibilidade de recursos garantidos por tempo
indeterminado permite que prefeitos gastem mais tempo pedindo favores
adicionais a governadores e presidentes do que tentando elevar a arrecadação. A
receita com IPTU, por exemplo, fica abaixo do potencial na maior parte do
país.
Fonte: Dinheiro Público & Cia/Folha

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