El Niño é uma fase da
Oscilação Sul-El Niño (Enso, na sigla em inglês), um dos padrões climáticos
mais poderosos do planeta. Enquanto o El Niño está relacionado a um Pacífico
Equatorial mais quente, a La Niña acontece quando as águas nessa região ficam
mais frias do que a média histórica. Quando as temperaturas estão dentro dessa
média, considera-se que o planeta passa por uma fase de neutralidade.
A variabilidade maior apontada pelo artigo se traduz em mais La Niñas e mais El Niños se alternando em uma frequência também maior, como demonstra a memória recente.
El Niños fortes ocorriam em intervalos de 10 a 15 anos, como registrado em 1982/83, 1997/98 e 2015/16. Nesta década, o ritmo mudou. O último El Niño intenso foi em 2023/24 e o seguinte, segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), dos EUA, tem 93% de chances de ocorrer de setembro a novembro deste ano.
Essa aceleração na frequência, agora confirmada como fruto das emissões provocadas pela atividade humana, tende a agravar as consequências de eventos extremos também devido à potencial sobreposição de ocorrências.
"Estudos mostram que o PIB mundial cai após episódios de El Niño e que a recuperação leva cinco anos se eles forem fortes. A gente não se recuperou ainda de um e já vamos ter outro", observa Rodrigues, lembrando das inundações no Rio Grande do Sul, em 2024. "As coisas ainda não foram totalmente reconstruídas, existem bairros com lixo ainda."
"Esses resultados têm implicações importantes para os riscos climáticos", escrevem Cole e seus colegas no artigo. "Se essa tendência continuar, ela intensificará ainda mais o impacto do fenômeno dentro e fora do Pacífico tropical."
A constatação de que a mudança climática também altera a intensidade do fenômeno reforça a urgência global por mecanismos de mitigação, da busca pela neutralidade das emissões à aceleração da transição energética, assim como por esforços de adaptação.
Apenas o último item, no entanto, tem aparecido com força no debate político, a despeito do ano já repleto de tragédias antes mesmo dos efeitos do El Niño entrarem na conta. Dizer que se trata apenas de um fenômeno natural não funciona mais.
Por José Henrique Mariante | Folhapress
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