Profissionais médicos
e enfermeiros da Atenção Primária que atuam nas Regiões de Viana, Bacabal,
Santa Inês, Itapecuru-Mirim e Metropolitana, participaram, até esta
quinta-feira (27), da Oficina de Atualização sobre Manejo Clínico, Vigilância e
Diretrizes para o Atendimento de Adultos com Tuberculose.
Promovida pela Coordenação de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), a oficina foi sediada no Auditório José Joaquim Filgueiras, situado no Fórum Desembargador Sarney Costa, na Avenida Professor Carlos Cunha, bairro Calhau, em São Luís.
A proposta foi contribuir para que os casos sejam identificados e acompanhados de forma adequada, ampliando a qualidade do cuidado prestado nos serviços de saúde. A escolha das regionais se deve pela elevada ocorrência de tuberculose nesses territórios. Em 2025, as cinco regionais concentraram 2.399 dos 3.995 casos notificados no Maranhão, cerca de 60% do total estadual.
"A oficina busca qualificar os profissionais para identificar e conduzir os casos de tuberculose, do diagnóstico ao tratamento e à cura, contribuindo para interromper a transmissão da doença. Mais do que uma atualização técnica, a proposta é levar esse conhecimento para a rotina dos serviços. Para isso, vigilância, laboratório, assistência, gestão e território precisam atuar de forma integrada para reduzir a carga da tuberculose no Maranhão", disse a coordenadora Estadual de Vigilância de Doenças Imunopreveníveis da SES, Bruna Lima.
Nesta quinta-feira (27), segundo dia da oficina, os profissionais puderam aprofundar os conhecimentos sobre diagnóstico e tratamento da doença com a palestra "Diagnóstico Resistência Micobacteriana - Avaliação de Resistência Primária e diagnóstico de Resistência Secundária ou Adquirida", apresentada pela médica e consultora da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde, Liliana Romero.
"Estamos desenvolvendo uma agenda de trabalho voltada para melhorar os fluxos operacionais para fazer uma abordagem da tuberculose, enquanto doença e prevenção e como a tecnologia diagnóstica que está disponível no SUS pode ser implementada na rotina do trabalho. Nesse sentido vamos conhecer como esse fluxo laboratorial e como ele pode aumentar a oferta do teste rápido molecular, baciloscopia e cultura, e de como as pessoas com maior vulnerabilidade podem se beneficiar de outras tecnologias diagnósticas, a exemplo do LF-LAM", explicou Liliana Romero.
Nos dois dias da oficina, a programação enfatizou ainda a importância da busca ativa, do diagnóstico clínico, exames laboratoriais, resistência bacteriana e tratamento, manejo de reações adversas, estratégias para ampliar a adesão dos pacientes, interpretação da radiografia de tórax e ainda o cenário epidemiológico da tuberculose, a rede laboratorial, a vigilância dos casos, a vacina BCG e o Tratamento Preventivo da Tuberculose.
"Esse treinamento nos dá mais segurança para manejar a tuberculose e fazer o acompanhamento dos casos, além de reconhecer uma doença que é difícil de identificar e que muitas vezes pode ser confundida com outras. Por isso, esse tipo de capacitação é muito importante para o nosso trabalho", comentou a médica do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB), Natália Trindade.
Quem também participou da oficina foi o médico Caio dos Santos, que atua na UBS Valdemar da Mota e Silva, situada no município de João Lisboa. "Momentos como este são importantes para nós, profissionais, tanto pela atualização sobre o manejo da tuberculose quanto pelo conhecimento de novas ferramentas para o diagnóstico precoce e para a identificação de infecções latentes. São pessoas que ainda não desenvolveram a forma ativa da doença, mas que podem evoluir e se tornar fontes de transmissão", afirmou.
No Maranhão, em 2025, foram notificados 3.995 casos de tuberculose, dos quais 3.041 (76%) eram casos novos. Neste ano de 2026, foram notificados 2.333 casos da doença, sendo 1.760 (75%) de casos novos.
O SUS oferece tratamento gratuito para a tuberculose, com duração média de seis meses. Mesmo com o desaparecimento dos sintomas, é necessário manter o uso dos medicamentos conforme orientação da equipe de saúde. A vacina BCG, disponível na rede pública, protege crianças contra as formas mais graves da doença.
A Tuberculose é uma doença infecciosa que pode apresentar sintomas como tosse por três semanas ou mais, com ou sem catarro, febre no fim do dia, suor noturno e perda de peso sem causa aparente.


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