Os presidentes dos
EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, devem se reunir nesta semana para
avançar em um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis. A
iniciativa, formalmente abordada em março, busca otimizar o fluxo de produtos e
reduzir tensões econômicas, com cada lado identificando cerca de US$ 30 bilhões
em bens para possíveis cortes de tarifas. Este movimento, fundamental para as
relações econômicas globais, sinaliza uma mudança de postura de Washington, que
agora foca em metas numéricas de comércio e na busca por equilíbrio, sem exigir
de Pequim uma alteração em seu modelo econômico. Tal acordo pode ter um impacto
direto na cadeia de suprimentos global e nos custos para consumidores.
O chamado “Conselho de Comércio” foi proposto primeiramente pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em março, como um pacto essencial a ser entregue na cúpula desta semana entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.
Os detalhes do plano ainda permanecem em construção, mas uma alteração significativa em relação a diálogos anteriores é evidente: Washington não exige mais que Pequim mude seu modelo econômico, que é orientado pelo Estado e pela exportação, para se assemelhar mais ao modelo norte-americano, pautado pelo mercado e pelo consumo.
Em vez disso, o esforço se concentra em atingir metas comerciais quantificáveis em setores não estratégicos, enquanto mantém tarifas abrangentes e controles de exportação sobre tecnologias consideradas sensíveis à segurança nacional.
ABORDAGEM ADAPTATIVA
Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, explicou à Fox Business Network na semana passada a nova perspectiva. “Não se trata de uma situação em que vamos fazer com que a China mude sua forma de governar, de administrar sua economia”, afirmou. “Tudo isso está embutido no sistema deles, mas acho que existe um mundo em que descobrimos onde podemos otimizar o comércio entre a China e os Estados Unidos para obter mais equilíbrio.”
Greer comparou o novo mecanismo a um “adaptador” de tomada, capaz de conectar dois sistemas econômicos que, de outra forma, seriam incompatíveis.
Na quarta-feira, 13 de maio de 2026, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, reuniram-se por três horas em Incheon, na Coreia do Sul. O objetivo era estabelecer as bases finais das propostas econômicas que Trump e Xi discutirão em Pequim. Contudo, as duas principais autoridades econômicas não emitiram qualquer declaração sobre a reunião preliminar.
Quatro fontes ligadas aos objetivos do governo Trump indicaram a expectativa de um acordo para a redução de US$30 bilhões em barreiras comerciais de cada lado, inaugurando o novo mecanismo. Ainda não está claro, porém, se produtos específicos serão definidos pelos presidentes Trump e Xi, ou se essa tarefa será delegada a reuniões subsequentes.
Wendy Cutler, ex-negociadora do Escritório do Representante de Comércio dos EUA e diretora do Asia Society Policy Center em Washington, observou que ambos os lados “estão se unindo” em torno de uma cesta de mercadorias avaliada entre US$30 bilhões e US$50 bilhões para a redução de tarifas ou outras barreiras.
“A cesta não sensível é agora uma parte muito pequena de nosso comércio geral com a China. Portanto, talvez esse Conselho de Comércio comece com isso e se expanda no futuro”, disse Cutler em um fórum virtual da Asia Society na terça-feira.
O comércio bidirecional de mercadorias entre os EUA e a China diminuiu 29%, passando de US$582 bilhões em 2024 para US$415 bilhões. O déficit comercial norte-americano, por sua vez, caiu quase 32%, atingindo US$202 bilhões em 2025, o menor valor em duas décadas, conforme dados do Departamento do Censo dos EUA.
Tanto o escritório do Representante Comercial dos EUA quanto o Tesouro norte-americano preferiram não comentar sobre o mecanismo proposto antes da cúpula em Pequim.
A China evitou adotar o apelido “Conselho de Comércio”, afirmando em março que os dois lados haviam “concordado em explorar o estabelecimento de mecanismos de trabalho para expandir a cooperação econômica e comercial”, sem fornecer mais detalhes.
ENERGIA E AGRICULTURA EM FOCO
Com o objetivo dos EUA de impulsionar as vendas de energia e produtos agrícolas para a China, as tarifas de Pequim sobre essas commodities representam um ponto-chave de negociação.
Atualmente, a China mantém uma tarifa geral extra de 10% sobre todas as importações dos EUA, um percentual equivalente à tarifa temporária de 10% aplicada pelos norte-americanos sobre os produtos chineses.
Além dessa taxa e das tarifas pré-existentes de “nação mais favorecida”, Pequim impõe taxas retaliatórias sobre as importações dos EUA, que incluem 10% sobre o petróleo bruto, 15% sobre o gás natural liquefeito, 15% sobre o carvão e até 55% sobre a carne bovina.
Os EUA, por sua vez, aplicam tarifas de 7,5% sobre uma série de produtos de consumo chineses, impostas em 2019, no auge da guerra comercial no primeiro mandato de Trump. Essa lista abrange televisores de tela plana, dispositivos de memória flash, alto-falantes inteligentes, fones de ouvido Bluetooth, roupas de cama e impressoras multifuncionais, além de diversos tipos de calçados. A tarifa global temporária de 10% dos EUA, com previsão de expirar em julho, é adicionada a essas taxas.
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