Empresas de energia
renovável avaliam reduzir ou redirecionar investimentos no Nordeste, com
impacto estimado em até R$ 38,8 bilhões entre 2025 e 2026. A região, que
concentra a maior parte dos projetos e mais de 95% dos investimentos do setor,
enfrenta uma combinação de fatores que tem desestimulado novos aportes. Entre
eles estão o crescimento lento da demanda por energia, o “curtailment” (corte
forçado na geração), aumento de custos operacionais e mudanças nas regras de
incentivo.
Segundo associações do setor, os impactos já são significativos. Em 2025, 141 usinas devolveram outorgas, somando R$ 18,9 bilhões. Além disso, R$ 5,9 bilhões em investimentos não se concretizaram no segmento solar, enquanto a energia eólica registra cerca de R$ 14 bilhões em projetos suspensos. Representantes do setor também apontam perda de benefícios fiscais e novas exigências regulatórias como entraves. Uma das mudanças condiciona incentivos tributários à adoção de sistemas de armazenamento de energia, o que elevou custos para parte das empresas.
Outro fator é o encarecimento do uso da rede elétrica para usinas distantes dos grandes centros consumidores, especialmente no Norte e Nordeste, o que pode deslocar projetos para regiões como Sul e Centro-Oeste, mais próximas da demanda. Empresas já estudam novos investimentos em estados como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, mesmo com menor potencial de vento e sol, mas com vantagens logísticas.
O setor também critica a falta de soluções para o curtailment, que hoje gera desperdício de energia equivalente à produção de uma grande usina. A adoção de baterias para armazenamento é apontada como alternativa, mas ainda enfrenta entraves regulatórios e atraso em leilões. Diante do cenário, representantes avaliam que a insegurança regulatória e o aumento de custos podem comprometer o avanço da energia limpa no país, apesar do alto potencial brasileiro na transição energética.
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