Para o senador eleito e ex-vice-presidente,
atual titular do Palácio do Planalto não compreendeu "o país que precisa
governar"
Senador eleito pelo Rio Grande do Sul e um dos postulantes a liderar a nova
oposição no país, o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) avaliou
que o terceiro governo de Lula (PT) “chegou com espírito de revanche”. Em
entrevista ao UOL, o companheiro de chapa em 2018 do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) criticou as medidas que revogam decretos da era Bolsonaro sobre
as armas e a que promovia desonerações de R$ 5,8 bilhões.
Mourão sustenta que seu posicionamento se
baseia em “atos e palavras” e por o presidente Lula ter vencido a eleição no
photosharp – dispositivo usado principalmente em corridas de cavalo em que só a
fotografia pode atestar quem é o vencedor. Lula derrotou Bolsonaro no segundo
turno com 50,9% dos votos, contra 49,1% do agora ex-presidente. “Está na hora
de (o governo Lula) compreender o país que precisa governar, despindo-se de
seus pré-conceitos políticos, econômicos e ideológicos”, declarou.
O futuro senador não esconde ter a pretensão de
liderar a minoria no parlamento, apesar de identificar em Bolsonaro “todas as
condições para ser o líder da direita”. Segundo Mourão, “considero ser minha
tarefa construir um grupo sólido, em torno de princípios e valores comuns, para
fazer oposição dura às ideias que sabemos ser o prenúncio de um desastre”.
Curiosamente, Mourão começou o governo em
atrito com o bolsonarismo. Filhos do ex-presidente chegaram a chamá-lo de bosta
em críticas ao seu pronunciamento no sábado (31), último dia da gestão passada
em que o general ocupava a presidência em exercício. Em resposta, o ex-vice
ressaltou que não aceitaria ofensas ou ameaças.
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