Dispositivo foi considerado inconstitucional
pelo STF em dezembro; orçamento de um ministério subiu de R$ 5,2 bilhões para
R$ 10,6 bilhões nos três dias finais de 2022.
Em 19 de dezembro passado, com o voto do
ministro Ricardo Lewandowiski, o Supremo Tribunal Federal formou maioria para
considerar as emendas de relator inconstitucionais. Na ocasião, o relator geral
do orçamento, Marcelo Castro (MDB-PI), chegou a informar que o recurso seria
redirecionado às emendas de comissão. Contudo, segundo levantamento da Folha de
S. Paulo, a verba teve o mesmo destino previsto pelas emendas do relator.
De acordo com o veículo, em vez de o recurso
retornar para os cofres dos ministérios, atendendo a determinação do STF, em
pelo menos 280 casos, a verba foi destinada para o mesmo município e a mesma
finalidade que estava prevista na emenda de relator. A Folha relatou que obteve
a planilha que confirma a “burla” na decisão da Suprema Corte.
Além disso, o antigo Ministério do
Desenvolvimento Regional (MDR) recebeu mais recursos nos últimos três dias do
ano do que nos demais 362. A pasta absorveu parte importante do montante
originado do orçamento secreto, aumentando os investimentos de R$ 5,2 bilhões
para R$ 10,6 bilhões.
A operação no MDR beneficiou parlamentares
aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), como o líder do
Republicanos, deputado Hugo Motta (PB), o deputado Wellington Roberto (PL-PB) e
a deputada Margarete Coelho (PP-PI). Redutos eleitorais presidente do Senado
Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e aliados do ex-presidente da Câmara Alta,
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também foram beneficiados.
Com a posse do presidente Lula, a pasta foi
dividida entre os ministérios da Cidade e da Integração Nacional. Procurada
pela folha, a assessoria do MDR não retornou.

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