O número de crianças e adolescentes do País com
acesso à internet cresceu em 2021, apontou a pesquisa TIC Kids Online Brasil,
do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que foi divulgada hoje (16),
em São Paulo. O estudo, conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e
Coordenação do Ponto BR (NIC.br), apontou que 93% das crianças e adolescentes
do País entre 9 e 17 anos são usuárias de internet, o que corresponde a cerca
de 22,3 milhões de pessoas conectadas nessa faixa etária. No entanto, esse
acesso ainda revela desigualdades.
Em 2019, antes da pandemia de covid-19, 89%
dessas crianças e adolescentes tinham acesso à internet. Dois anos depois,
houve avanços, que foram principalmente percebidos entre as crianças e
adolescentes da Região Nordeste: em 2019, 79% delas tinham acesso à internet e
esse número passou para 92% no ano passado. Também houve avanço nas áreas
rurais, cujo acesso à internet passou de 75% para 90% nessa mesma comparação, e
entre crianças de 9 a 10 anos, que saiu de 79% para 92%.
“Esse é um dado, 93%, que a gente tem que
comemorar, é uma população inserida em um ambiente, mas não podemos
desconsiderar os 7% que não foram inseridos, o que representa quase 2 milhões
de pessoas nessa faixa etária que não utilizam a internet. Os que não utilizam
a internet sofrem muito a consequência desse avanço porque ficam ainda mais à
margem. Além disso, temos que pensar que, entre os que são usuários, esse uso
não é igual”, disse a coordenadora do estudo, Luísa Adib, durante a
apresentação dos dados.
O celular é o dispositivo predominante entre as
crianças e adolescentes para acesso à internet (93%), mas o estudo de 2021
também mostrou um crescimento significativo da televisão para essa utilidade
(58%). Apesar disso, o uso de dispositivos como televisão, computador (44%) e
videogame (19%) para acesso à internet ainda é pequeno e demonstra a
desigualdade entre as classes sociais. “Esse crescimento na televisão como
dispositivo para acessar a internet foi maior entre as classes D e E mas, ainda
assim, a diferença que a gente observa tanto para a televisão quanto para os
demais dispositivos - com exceção do celular que é mais equilibrado – é que as
classes A e B acessam a internet de uma variedade maior de dispositivos”,
destacou Luisa.
“Mais de 50% dessa população de crianças e
adolescentes acessa a internet exclusivamente pelo telefone celular. E, nesse
caso, a diferença de classes é bastante marcada. As classes D e E acessam
exclusivamente pelo celular em proporções que são maiores do que as classes A e
B, que também acessam pelos computadores”, disse Luísa. Segundo o estudo, os
celulares são a única ferramenta de conexão para 78% de crianças e adolescentes
das classes D e E. Nas classes A e B, apenas 18% desse público faz uso
exclusivo do celular para uso da internet.
O TIC Kids Online Brasil realizado no ano passado
revelou ainda que um terço dos adolescentes entre 11 e 17 anos (cerca de 32% do
total deles) já usou a internet para buscar apoio emocional. Esse hábito foi
maior entre as meninas: 36% delas afirmam já ter recorrido a esse tipo de apoio
online. No caso dos meninos, isso correspondeu a 29%. “É importante destacar
que a busca emocional nesse caso está associada tanto a um canal de ajuda como
a busca por um amigo ou um adulto, para dividir ou falar sobre alguma situação
triste”, explicou Luísa. O uso da rede para a procura de apoio emocional foi
reportado por 46% dos que tinham entre 15 e 17 anos, 28% entre os com 13 e 14
anos e 15% por aqueles com idades de 11 a 12 anos.
Entre crianças e adolescentes no País, o uso de
redes sociais é uma das atividades online que mais cresceram. Em 2021, 78% dos
usuários de internet com idades de 9 a 17 anos acessaram alguma rede social, um
aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2019 (68%). A proporção de
usuários de internet de 9 a 17 anos que têm perfil no Instagram avançou de 45%,
em 2018, para 62%, em 2021. E, pela primeira vez, o perfil no Tik Tok apareceu
na pesquisa: 58% do público pesquisado declarou ter um perfil nessa rede
compartilhamento de vídeos curtíssimos, ficando à frente do Facebook, com 51%
Para a pesquisa, foram ouvidas 2.651 crianças e
adolescentes de todo o País, com idades entre 9 e 17 anos. O estudo foi
realizado entre outubro do ano passado e março deste ano. O TIC Kids Online
Brasil é uma pesquisa feita anualmente desde 2012 e só não foi realizada em
2020 por causa da pandemia de covid-19.

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