O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou
na segunda-feira (10) a inclusão da trombectomia nos procedimentos realizados
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Altamente especializado e usado na fase
aguda do AVC, o tratamento consiste na inserção de um cateter no vaso sanguíneo
do paciente para remover o bloqueio e restaurar o fluxo sanguíneo para a área afetada.
A tecnologia deve estar completamente implantada até o final do ano. O anúncio
foi feito na abertura do Global Stroke Alliance – for Stroke without Frontiers,
um congresso médico destinado a debater o Acidente Vascular Cerebral (AVC), na
capital paulista.
Segundo Queiroga, a logística da trombectomia é
complexa, mas já há experiência nacional para realizar esse procedimento. Antes
de ser aprovada para inserção no SUS, a tecnologia foi avaliada pela Comissão
Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A
portaria foi publicada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos
Estratégicos (SCTIE), do Ministério da Saúde, faltando concluir a terceira fase
que é a disponibilização dos hospitais especializados. "São 88 centros do
Brasil que realizam o tratamento especializado no AVC, mas não são todos esses
que terão essa tecnologia em um primeiro momento. Isso é feito degrau por
degrau. Só pode estar disponível naqueles centros onde há qualificação técnica
de equipes de profissionais habilitados”.
O ministro explicou que o critério de escolha
dos locais onde a tecnologia será implantada serão os indicadores de cada um
dos hospitais, como dados de mortalidade por AVC, tempo de internação no
hospital, reinternações, pacientes que são tratados com trombolíticos e a
experiência dos médicos. Segundo
Queiroga, o desafio de cuidar do AVC é tão amplo que não abrange só a atenção
especializada, porque começa na atenção primária, com controle da hipertensão
arterial, do diabetes, com o combate ao tabagismo, sedentarismo, entre outros.
O ministro reforçou que as doenças
cardiovasculares são a primeira causa de morte no mundo, atingindo 18 milhões
de pessoas por ano. "Essa é a maneira mais eficaz de reduzir óbitos por
AVC, mas aqueles que têm precisam de terapia para reperfundir a artéria que
está obstruída levando ao AVC. Isso se faz com trombolíticos, que são os
medicamentos que dissolvem o coágulo, ou então com a trombectomia. É como
acontece no infarto, mas a logística do AVC é mais complexa porque temos menos
tempo".
Queiroga reforçou que todas as terapias
inovadoras acarretam custos que podem ser incrementais ou a eficácia dessa
terapia é muito superior ao que já existe, sendo um custo decremental. "No
caso da trombectomia, foi avaliado, e a razão de custo e efetividade
incremental está dentro do patamar de limiar que o sistema brasileiro suporta
financiar. Essa questão dos custos não é a preocupação maior em relação a essa
terapia. A nossa maior atenção é garantir que os resultados dos ensaios
clínicos se repliquem na prática".
Até esta incorporação, a única terapia clínica
disponível na rede pública era a trombólise, opção nem sempre eficiente para os
casos mais graves. Enquanto isso, quatro hospitais públicos no Brasil, em São
Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Ceará, já oferecem a trombectomia, mas,
nesses casos, o tratamento é custeado pelo próprio hospital ou pela secretaria
estadual de Saúde. O tratamento custa de R$ 15 mil a R$ 20 mil.
Somente no mês de julho de 2022, o AVC matou
8.758 brasileiros, o equivalente a 11 óbitos por hora, segundo dados do Portal
de Transparência dos Cartórios de Registro Civil do Brasil. No primeiro
semestre deste ano, foram 56.320 mortes, número acima das vítimas de infarto
(52.665) e covid-19 (48.865). Segundo informações do Ministério da Saúde, os
principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVC são fraqueza ou
formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
confusão mental; alteração da fala ou compreensão; alteração na visão (em um ou
ambos os olhos); alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no
andar; dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.
Os fatores que aumentam o risco de AVC são a
hipertensão, o diabetes tipo 2, colesterol alto, sobrepeso; obesidade;
tabagismo; uso excessivo de álcool; idade avançada; sedentarismo; uso de drogas
ilícitas; histórico familiar; ser do sexo masculino. Para prevenir, o ideal é
manter uma vida saudável, sem fumar, consumir álcool ou drogas ilícitas, além
de manter alimentação equilibrada, peso ideal, beber bastante água, praticar
atividades físicas regularmente e manter a pressão e a glicose sob controle.

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