O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU)
Vital do Rêgo foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro pela
força-tarefa da Operação Lava Jato por recebimento de propina enquanto era
senador e presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da
Petrobras.
Ele teve R$ 4 milhões em bens bloqueados em uma
nova fase da operação, deflagrada na manhã de ontem terça-feira (25). Segundo a
denúncia do MPF, Vital do Rêgo recebeu R$ 3 milhões de Leo Pinheiro, então
presidente da OAS, para que os executivos da empreiteira não fossem convocados
para depor na CPMI e na CPI do Senado, em 2014. De acordo com o MPF, a CPI no
Senado teve 11 reuniões e ouviu 16 pessoas, e a CPMI teve 26 reuniões e 12
depoimentos.
Nenhum empreiteiro foi convocado ou ouvido. As
propinas, segundo o MPF, foram pagas por meio de repasses a intermediários e
empresas sediadas na Paraíba, por meio de contratos fictícios fechados entre a
OAS e estas empresas. O MPF também investiga a doação, na mesma época, de R$ 1
milhão feita pela empreiteira ao PMDB. Vital do Rêgo é ministro do TCU desde
fevereiro de 2015. A denúncia foi apresentada à Justiça Federal em Curitiba
porque ele não tem foro privilegiado.
Segundo uma decisão do Superior Tribunal de
Justiça (STJ), ministros do Tribunal de Contas só têm foro privilegiado para
fatos investigados que ocorreram durante o exercício do cargo como ministro. Na
época, Vital do Rego era senador e não foi reeleito. Em nota, Vital do Rêgo
afirmou que foi surpreendido com a denúncia.
Ele afirmou que o inquérito tramita há 5 anos e
que dois procuradores-gerais da República, Rodrigo Janot e Raquel Dodge, não
vislumbraram elementos para formalizar o pedido de ação penal. “Causa
estranheza e indignação o fato de que a denúncia nasceu de um inquérito, aberto
sem autorização do Supremo Tribunal Federal, Corte esta que ainda examina
recurso contra a remessa da investigação para Curitiba, em uma clara usurpação
da competência do STF”, disse.

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