A pandemia da covid-19 continua provocando
estragos profundos no mercado de trabalho. No trimestre encerrado em maio,
havia 7,8 milhões de pessoas a menos trabalhando que no trimestre anterior,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população
ocupada, de 85,9 milhões de pessoas, era a menor da série histórica da Pnad
Contínua, iniciada em 2012. E, pela primeira, menos da metade da população em
idade de trabalhar está ocupada.
A taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,9%
no trimestre encerrado em maio. Em igual período de 2019, o desemprego estava
em 12,3% e, no trimestre até abril deste ano, em 12,6%. No trimestre de
dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, quando o País ainda não sentia o impacto
da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a taxa de desemprego
estava em 11,6%.
Com o aumento, o País tem 12,7 milhões de
desempregados. São mais 368 mil pessoas à procura de trabalho em relação ao
trimestre anterior. Por esse ângulo, nem parece que houve uma piora tão grande
no mercado de trabalho. Mas é nos outros números da pesquisa que aparece o
cenário trágico.
A população fora do mercado de trabalho, que
inclui as pessoas que não estavam trabalhando nem procurando trabalho, cresceu
em 9 milhões de um trimestre para o outro, chegando a 75 milhões, um número recorde.
"É o pior momento na ocupação, nunca houve tanta gente fora da força de
trabalho", disse Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e
Rendimento do IBGE.

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