Uma operação do Ministério Público Federal
(MPF) e da Polícia Federal cumpre na manhã desta terça-feira (30) oito mandados
de prisão temporária, além de pedidos de buscas e apreensão em 14 endereços de
pessoas ligadas ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).
As medidas, que fazem parte da Operação
Sangria, foram determinadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), e incluem o bloqueio de bens no valor R$ 2,976
milhões, de 13 pessoas físicas e jurídicas.
A investigação apura a atuação de uma
organização criminosa instalada no governo do Amazonas com o objetivo de
desviar recursos públicos destinados ao combate à pandemia de covid-19.
Foram identificadas compras superfaturadas de
respiradores, direcionamento na contratação de empresa, lavagem de dinheiro e
montagem de processos para encobrir os crimes praticados. Todas as operações
teriam a participação direta do governador Wilson Lima.
A subprocuradora-geral da República Lindôra
Araújo sustenta que as investigações permitiram “evidenciar que se está diante
da atuação de uma verdadeira organização criminosa que, instalada nas
estruturas estatais do governo do estado do Amazonas, serve-se da situação de
calamidade provocada pela pandemia de covid-19 para obter ganhos financeiros
ilícitos, em prejuízo do erário e do atendimento adequado à saúde da
população”.
Em um dos contratos investigados foi encontrada
suspeita de superfaturamento de, pelo menos, R$ 496 mil. Os respiradores foram
adquiridos por valor superior ao maior preço praticado no país durante a
pandemia, com diferença de 133%.
No esquema identificado pelo MPF e pela Polícia
Federal, o governo do estado comprou, com dispensa de licitação, 28
respiradores de uma importadora de vinhos.
“Os fatos ilícitos investigados têm sido
praticados sob o comando e orientação do governador do estado do Amazonas,
Wilson Lima, o qual detém o domínio completo e final não apenas dos atos
relativos à aquisição de respiradores para enfrentamento da pandemia, mas
também de todas as demais ações governamentais relacionadas à questão, no bojo
das quais atos ilícitos têm sido praticados”, destaca Lindôra Araújo.
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Estão sendo apuradas suspeitas da prática de
peculato, delitos da lei de licitações, organização criminosamente, lavagem de
dinheiro, e crimes contra o sistema financeiro.

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