A pandemia do novo corona vírus tem despertado
nas pessoas inúmeros sentimentos e atitudes. Algumas simplesmente tem ignorado
qualquer orientação das autoridades sanitárias se expondo perigosamente ao
contágio e com isso contaminando outras pessoas.
Entretanto, felizmente, a maioria entendeu a
importância do isolamento social como forma de reduzir a propagação mais rápida
da doença para permitir que a rede pública possa ser ampliada evitando um mal
maior, já que infelizmente, o colapso é inevitável e já bate as portas dos
hospitais das grandes metrópoles.
Pessoas estão morrendo por falta de leitos de UTI.
A pandemia já provoca claramente um corte de
classe. A maioria de mortes são de pessoas pobres e desassistidas pela
incapacidade da rede de saúde pública, provocada também pela falta de ações
coordenadas por todas as esferas de poder: municipal, estadual e federal. Há
centenas de leitos vagos nos hospitais federais. Isso é de uma incompetência
tão extrema que é quase inacreditável, pois trata-se de vidas humanas que estão
sendo perdidas.
O caso é mais grave, portanto, na esfera
federal, pois temos um ministro inoperante que nos dá a sensação de estar
completamente perdido e por um presidente que além de não liderar o processo
como deveria ser o seu papel, a exemplo de outros líderes internacionais,
debocha diariamente da pandemia e vive envolvido com crises políticas que ele
mesmo cria.
A quarentena fez crescer os casos de depressão
e ansiedade, dada a dificuldade de muitos em lidar com o medo em relação a si
próprios e aos seus entes queridos. O sentimento de medo permeia em todos os
sentidos, até mesmo o medo da subsistência daqueles que ficaram sem renda com a
consequente crise econômica que veio a reboque.
O medo precisa ser encarado neste momento de
grande tensão como um processo normal. Na lógica aristotélica o medo funciona
como forma de prudência. Quem não tem medo, perde a cautela, não tem empatia e
se expõe de forma irresponsável ao perigo que pode atingir quem não se cuida e
atingir também os demais membros da “pólis” ou da nossa sociedade.
Precisamos tentar controlá-lo por nossos
próprios meios emocionais e psicológicos, ou caso se torne mais difícil,
recorrer a ajuda de profissionais especializados. A família também pode dar
suporte e ajudar. A solidariedade é fundamental e cresce muito nestes momentos
difíceis.
Um outro sentimento que precisa ser valorizado
é a esperança, apesar das incertezas do que acontecerá mais a frente. Ela
sempre é maior quando atravessamos graves crises e serve de alento para que
possamos esperar dias melhores.
Precisamos “regá-la e cultivá-la”. Ela combate
o medo e projeta no nosso subconsciente que além de nós tem pessoas trabalhando
diariamente para construir alternativas científicas que vão dar respostas a pandemia
e a crise na economia, razões maiores deste medo neste trágico momento.Vamos
compartilhar com o próximo a ajuda possível, seja ela econômica ou afetiva.
Vejo várias atitudes positivas tomadas pela sociedade civil neste sentido.
O que lamentamos é que o poder público, agindo
de forma tão descoordenada não está tomado as providências em seu tempo certo.
Tem muita coisa em atraso, tanto na assistência social quanto principalmente na
assistência médica hospitalar. Tudo isso precisa de urgente correção. O vírus
não respeita fronteiras, ideologias e muito menos vaidades pessoais.
Nosso papel, além de ajudar o próximo, é cobrar
firmemente das autoridades estabelecidas que cumpram o seu, caso contrário
viveremos no país uma tragédia social sem precedentes. Se vossas excelências
não se unirem para uma ação integrada, urgente e propositiva a história
certamente os vãos cobrar e o preço humanitário e político a pagar será
extremamente alto.
Eles que não esqueçam que este ano tem eleições
municipais e respostas a falta de ações destes agentes públicos certamente
serão dadas no momento devido. Sigamos em frente e apesar de tudo tenhamos
esperança !! “Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer. ”
Por : Claudio Leitão é economista, professor de
história.

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