Não existe prefeito corrupto com uma câmara
honesta. Se a Câmara de Vereadores agir dentro de suas prerrogativas legais,
ele cai. Se ele fica, mesmo diante de inúmeras ilegalidades e escândalos, a
câmara não é honesta. Nada mais óbvio !
O voto a ser dado ao representante do poder
legislativo, o vereador, deve ter a mesma importância do voto dado ao prefeito,
chefe do executivo municipal. Se acharmos que o voto no vereador é uma “coisa
menor” e sem critérios específicos o poder de fiscalização e de legislação em
prol da coletividade não vai funcionar.
Não pode existir subordinação entre os poderes
executivo e legislativo. São autônomos, independentes, com a mesma importância,
porém, com atribuições e prerrogativas diferentes.
O processo político só funciona a favor da
população quando ambos cumprem o seu papel constitucional.
Vereador que marca consultas e exames na saúde
privilegiando alguns, furando a fila, viola a cidadania e o direito de milhares
de outras pessoas. Só age assim aquele que está no “bolso” do prefeito.
Vereador que tem parentes e cabos eleitorais
empregados na prefeitura perde sua independência, uma das prerrogativas
fundamentais da função, e se transforma em “lacaio” do prefeito. Não representa
mais a população porque também está no “bolso” do prefeito.
O vereador não é eleito para te substituir, mas
sim para te representar. Parece uma tênue diferença, mas não é. O mandato
precisa ter caráter participativo. Ele é eleito para defender os interesses
coletivos e não seus interesses individuais. E tem muitas outras.
Se tudo isso é o “óbvio ululante”,
parafraseando Nelson Rodrigues, por que repetir este mesmo comportamento de
anos na hora do voto percebendo tudo isso?
O vereador está normalmente mais perto do povo
do que o próprio prefeito. Vereador omisso é pior do que prefeito ruim.
Atos individuais numa eleição produzem fortes
transformações coletivas. Não podemos esperar pelos outros. Cada um tem que
fazer a sua parte. A pandemia vai passar e a eleição provavelmente deve ser
adiada para 6 de dezembro, conforme entendimentos que tramitam no Congresso, o
que vai nos dar mais tempo para refletir sobre tudo isso.
A mudança está em cada um de nós !
Por: Claudio Leitão (Economista e Professor de
História).

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