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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

NOVO REVÉS: EUA mantêm veto à carne bovina brasileira.



Decisão de manter o embargo frustrou as expectativas do governo brasileiro. Bolsonaro pediu o fim do bloqueio em março, em sua reunião com Trump. Autoridades sanitárias dos Estados Unidos frustraram as expectativas do governo brasileiro de tentar reverter o bloqueio americano à carne bovina do Brasil.

O embargo americano teve início em 2017, na esteira da Operação Carne Fraca, que investigou subornos a fiscais federais pagos por frigoríficos para emitir atestados de qualidade para carnes adulteradas, vendidas nos mercados interno e externo. O presidente Jair Bolsonaro pediu o fim do embargo em março, durante seu encontro em Washington com o presidente americano, Donald Trump, e havia a expectativa de que o pedido fosse atendido.

Durante as conversas em março, Trump e Bolsonaro acertaram uma viagem de inspetores do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ao Brasil para verificar o sistema de inspeção brasileiro. Os fiscais vieram ao Brasil, mas solicitaram informações adicionais. Uma nova visita por parte das autoridades deve ser feita em breve. Enquanto isso, o embargo será mantido.

“A nossa expectativa era de que o veto [à carne brasileira] não se mantivesse. […] Temos todas as capacidades [para passar na inspeção], já as apresentamos e a expectativa é que em breve este mercado esteja aberto”, afirmou o porta-voz da presidência, general Otávio do Rêgo Barros, segundo noticiou a Agência Brasil.

A manutenção da restrição é o segundo revés em menos de um mês nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em outubro, o governo americano não formalizou apoio à entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, reafirmou que segue apoiando o ingresso brasileiro, mesmo com a prioridade sendo Argentina e Romênia.

Para obter o apoio dos EUA ao ingresso do Brasil na OCDE e a reavaliação da carne brasileira, Bolsonaro fez uma série de concessões aos Estados Unidos, como abdicar ao status de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ademais, o Brasil também concordou em comprar carne suína americana, aumentou o limite para etanol americano no Brasil e abriu uma cota para importação de trigo dos EUA.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que o assunto será tratado diretamente nos Estados Unidos, para onde ela viaja com uma comitiva no próximo dia 17 de novembro. A chefe da Pasta reforçou o bom relacionamento com os americanos para conversar sobre o assunto.

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