Decisão de manter o embargo
frustrou as expectativas do governo brasileiro. Bolsonaro pediu o fim do
bloqueio em março, em sua reunião com Trump. Autoridades sanitárias dos Estados
Unidos frustraram as expectativas do governo brasileiro de tentar reverter o
bloqueio americano à carne bovina do Brasil.
O embargo americano teve início
em 2017, na esteira da Operação Carne Fraca, que investigou subornos a fiscais
federais pagos por frigoríficos para emitir atestados de qualidade para carnes
adulteradas, vendidas nos mercados interno e externo. O presidente Jair
Bolsonaro pediu o fim do embargo em março, durante seu encontro em Washington
com o presidente americano, Donald Trump, e havia a expectativa de que o pedido
fosse atendido.
Durante as conversas em março,
Trump e Bolsonaro acertaram uma viagem de inspetores do Serviço de Inspeção e
Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ao Brasil
para verificar o sistema de inspeção brasileiro. Os fiscais vieram ao Brasil,
mas solicitaram informações adicionais. Uma nova visita por parte das
autoridades deve ser feita em breve. Enquanto isso, o embargo será mantido.
“A nossa expectativa era de que o
veto [à carne brasileira] não se mantivesse. […] Temos todas as capacidades
[para passar na inspeção], já as apresentamos e a expectativa é que em breve
este mercado esteja aberto”, afirmou o porta-voz da presidência, general Otávio
do Rêgo Barros, segundo noticiou a Agência Brasil.
A manutenção da restrição é o
segundo revés em menos de um mês nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em
outubro, o governo americano não formalizou apoio à entrada do Brasil na
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto,
reafirmou que segue apoiando o ingresso brasileiro, mesmo com a prioridade
sendo Argentina e Romênia.
Para obter o apoio dos EUA ao
ingresso do Brasil na OCDE e a reavaliação da carne brasileira, Bolsonaro fez
uma série de concessões aos Estados Unidos, como abdicar ao status de país em
desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ademais, o Brasil
também concordou em comprar carne suína americana, aumentou o limite para
etanol americano no Brasil e abriu uma cota para importação de trigo dos EUA.
Em entrevista à Folha de S.Paulo,
a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que o assunto será tratado
diretamente nos Estados Unidos, para onde ela viaja com uma comitiva no próximo
dia 17 de novembro. A chefe da Pasta reforçou o bom relacionamento com os
americanos para conversar sobre o assunto.

Sem comentários:
Enviar um comentário
obrigado pela sua participação grato
por sua visita!...e fique a vontade para opinar.