O custo do conjunto de alimentos
essenciais subiu em todas as capitais em março de 2019, como mostra o resultado
da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em
18 cidades. As altas mais expressivas ocorreram em Brasília (11,09%), Florianópolis
(7,28%), São Luís (7,26%) e Curitiba (7,20%). A capital com a cesta mais cara
foi São Paulo (R$ 509,11), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 496,33) e Porto
Alegre (R$ 479,53). Os menores valores médios foram observados em Salvador (R$
382,35) e Aracaju (R$ 385,62). Em 12 meses, entre março de 2018 e o mesmo mês
deste ano, todas as cidades acumularam alta, as mais expressivas em Goiânia
(20,25%), Salvador (18,42%) e Brasília (17,39%). Nos primeiros três meses de
2019, todas as cidades mostraram alta acumulada, com destaque para Recife
(17,85%), Vitória (17,84%) e Natal (16,87%). A menor alta foi registrada em
Porto Alegre (3,19%). Com base na cesta mais cara que, em março, foi a de São
Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece
que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um
trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação,
vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima
mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em março de 2019, o valor
necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler
a R$ 4.277,04, ou 4,29 vezes o mínimo de R$ 998,00. Em fevereiro de 2019, o
piso necessário correspondeu a R$ 4.052,65, ou 4,06 vezes o mínimo vigente. Já
em março de 2018, o valor necessário seria de R$ 3.706,44, ou 3,89 vezes o
salário mínimo, que era R$ 954. Entre fevereiro e março de 2019, os preços dos
produtos in natura ou semielaborados apresentaram tendência de alta: tomate,
batata (pesquisada na Região Centro-Sul), feijão e banana. Já as cotações da
carne bovina de primeira e do açúcar tiveram redução média de valor na maior
parte das cidades. O preço do quilo do tomate aumentou em todas as capitais de
fevereiro para março. As taxas variaram entre 10,12%, em Campo Grande, e
54,33%, em Florianópolis. Em 12 meses, as altas acumuladas oscilaram entre
10,09%, em Porto Alegre, e 58,59%, no Recife. A redução da oferta devido ao fim
da safra de verão explica a elevação expressiva dos preços no varejo. A batata,
pesquisada no Centro-Sul, ficou com o preço alto em todas as cidades. Os
aumentos mais expressivos foram registrados em Brasília (79,11%), Porto Alegre
(34,27%) e São Paulo (20,84%). Em 12 meses, as taxas acumuladas variaram entre
52,68%, em Goiânia, e 130,92%, em Belo Horizonte. A menor oferta de batata, com
as chuvas e o fim da safra das águas, elevou o preço no varejo. O preço médio
do feijão subiu em 17 capitais em março de 2019. O tipo carioquinha, pesquisado
nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, só
não apresentou aumento em Campo Grande (-10,92%). Destacam-se as elevações em
Brasília (102,13%), Belém (26,55%) e São Luís (17,55%). Já o feijão-preto,
pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, apresentou
elevação de valor entre 6,94%, em Porto Alegre, e 19,84%, em Curitiba. Em 12
meses, o preço médio do grão carioquinha acumulou alta acima de 100%, em todas
as capitais: as taxas variaram entre 112,84%, em Aracaju, e 191,44%, em Belém. As
variações acumuladas do tipo preto também foram positivas, mas em patamares
menores: entre 37,93%, no Rio de Janeiro, e 69,27%, em Vitória. A redução da
área plantada do feijão-carioca na chamada safra das águas e as chuvas intensas
diminuíram tanto a disponibilidade quanto a qualidade do grão. No caso do tipo
preto, o aumento médio de cotação se deu pela maior demanda, uma vez que o
consumidor teve a opção de substituir o grão carioca pelo preto. Já a dúzia da
banana aumentou em 15 cidades e diminuiu em três. A pesquisa coleta os tipos
prata e nanica e faz uma média ponderada dos preços. As altas mais expressivas
foram registradas em Brasília (35,04%), Belo Horizonte (20,79%), Curitiba
(18,98%) e Campo Grande (18,32%). Bananas prata e nanica apresentaram
diminuição de oferta, em decorrência de problemas climáticos. No caso da
nanica, também ocorreu antecipação de safra, devido ao calor. Os preços
aumentaram no varejo na maior parte das cidades. O preço do quilo da carne
bovina de primeira diminuiu em 11 cidades e subiu em sete. Os recuos variaram
entre -2,71%, em Brasília, e -0,22%, em Curitiba. A maior alta foi registrada
em Vitória (1,39%). Em 12 meses, o produto teve alta em 17 cidades, entre 1,24%,
em Belém, e 11,75%, em Goiânia. A única redução ocorreu em Florianópolis
(-1,60%). A maior oferta de animais abatidos e o decréscimo no preço dos
insumos aumentou o volume de carne comercializada e diminuiu o preço no varejo.
O quilo do açúcar diminuiu em dez cidades, ficou estável em Belo Horizonte e
João Pessoa e aumentou em seis capitais. As quedas mais expressivas foram
registradas em Florianópolis (-5,99%) e São Paulo (-5,96%). A maior alta
ocorreu em Brasília (6,35%). Em 12 meses, o preço do açúcar subiu em 11
cidades, com variações entre 3,26%, em Fortaleza, e 30,87%, em Goiânia.
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