Com as projeções de crescimento
do PIB em queda, o Ministério da Economia prepara um pacote de medidas para
aumentar a produtividade, o emprego e tentar destravar a atividade econômica.
Previstas para acontecer em 90, 180 e 360 dias, as ações foram formuladas em
quatro grandes planos que serão anunciados ao longo de abril: Simplifica,
Emprega Mais, Brasil 4.0 e Pró-mercados. O primeiro a sair do forno será o
Simplifica, conjunto de 50 medidas para desburocratizar a vida do setor
produtivo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o secretário de
Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, antecipa que o plano
foi feito com base na demanda das associações representativas do setor
produtivo, ouvidas nesses primeiros 100 dias de governo. “As empresas enfrentam
uma série de complexidades e vamos começar um grande processo de
simplificação”, diz Costa. “O Brasil poderia estar crescendo mais se não fossem
as amarras ao setor produtivo”.
Burocracia.
Entre as medidas, está uma
completa reformulação do eSocial, formulário digital pelo qual as empresas
comunicam ao governo informações relativas aos trabalhadores, como vínculos,
contribuições previdenciárias, folha de pagamento, aviso prévio e dados sobre o
FGTS.Segundo Costa, o eSocial é um sistema extremamente complexo, que hoje
demanda muitas horas e atrapalha o dia a dia das empresas. “Imagina um sistema
mil vezes mais complexo do que a sua declaração de Imposto de Renda. E as
empresas têm de preencher todo mês”, diz Costa. “As empresas não aguentam esse
eSocial.”
Vales.
No Emprega Mais, o governo
adotará uma nova estratégia nacional de qualificação de pessoal, que vai usar o
modelo conhecido como “vouchers” (vales). Eles serão oferecidos para empresas e
trabalhadores investirem na qualificação. Para conceder os vales, o governo vai
ouvir a demanda específica de vaga, invertendo a lógica que existe nos
programas antigos, como o Pronatec. Como o jornal O Estado de S. Paulo revelou,
auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que os programas de
qualificação profissional bancados pelo antigo Ministério do Trabalho só
conseguiram empregar um em cada dez alunos.O financiamento dos vouchers será
feito uma parte pelo governo e a outra com recursos que são atualmente
direcionados ao Sistema S. O objetivo do governo é, agora, redirecionar os
cursos gratuitos que já são oferecidos pelo sistema.
É provável também que seja usado
dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), responsável pelo pagamento de
seguro-desemprego e abono salarial. A avaliação da efetividade desse programa
estará relacionada com a empregabilidade e aumento de renda. Se houver aumento
de vagas, o governo conseguirá reduzir as despesas do FAT com o
seguro-desemprego. O vale poderá ser utilizado em lugares credenciados pelo governo.
Meta.
A equipe econômica também vai
implantar as licitações de cursos com metas de empregabilidade. O edital para a
seleção definirá um porcentual de contratação de emprego que as empresas
qualificadoras terão de cumprir. No plano Pró-mercados, a ideia é retirar, por
meio de mudanças regulatórias, as barreiras ao pleno funcionamento do mercado.
“O Brasil é um dos piores países no ranking de barreiras à competição interna”,
diz Costa. Entre as áreas escolhidas, ele citou saneamento, medicamentos, óleo
e gás, bancos, propriedade de terras e algumas áreas de telecomunicações. No
setor farmacêutico, o governo caminha para liberar preços de medicamentos
isentos de prescrição nos quais há mais de uma marca. Para Costa, o mercado
brasileiro inibe a entrada de novos concorrentes, que veem o controle de preços
pelo governo como risco para grandes investimentos. “O Brasil tem excesso de
regulamentação”, afirma. O plano Brasil 4.0 contém medidas para estimular a
digitalização e a modernização dos processos de gestão das companhias. O
governo vai usar estudos da OCDE para fomentar o uso da tecnologia no dia a dia
das empresas e consumidores. De acordo com Costa, o retorno do investimento
disponível é rápido. “O BNDES já tem linha de crédito, mas as empresas não
sabem usar”, diz Costa.
Confira abaixo os quatro planos:
Simplifica
– Reformulação do e-Social –
ajustes técnicos com menos burocracia para reduzir os custos das empresas.
– Agilização dos Processo
Produtivos Básicos (PPBs) na Zona Franca de Manaus e em outros setores, como os
das empresas beneficiadas pela lei de informática.
– Ajustes no chamado Bloco K, que
é o registro de controle e produção do estoque da indústria.
– Criação do Portal Único da
Construção, com padronização de um código que poderá ser adotado por
municípios.
– Janelas regulatórias. As
mudanças normativas do Inmetro terão um dia do mês para serem adotada. Hoje, o
órgão pode soltar as alterações todos os dias.
– Registro Único de Regularidade
Fiscal. Hoje, para provar a regularidade é preciso de várias certidões.
Emprega Mais.
– Novo Sistema Nacional de
Empregos (Sine) com a criação do “Tinder” do emprego e uso de inteligência
artificial para rever todos os formulários.
– Nova estratégia de qualificação
com uso de vales e do sistema de contratação de cursos com metas de
empregabilidade.
Pró-mercados.
– Medidas regulatórias para a
retirada das barreiras ao pleno funcionamento do mercado. Entre os setores,
estão saneamento, propriedade de terras, óleo e gás, medicamentos, planos de
saúde, bancos e áreas de telecomunicações.
Brasil 4.0
– Medidas para estimular a
digitalização e modernização dos processos de gestão das empresas. A proposta é
atender 300 mil empresas. Serão usados indicadores da OCDE e um programa de
inovação.
As informações são do jornal O
Estado de S. Paulo.
Época, com Estadão

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