O ministro da Justiça e Segurança
Pública, Sergio Moro, comprometeu-se a estudar formas de apoiar a ampliação da
metodologia de ressocialização de presos utilizada pelas associações de
Proteção e Assistência aos Condenados (Apacs). Consideradas uma alternativa ao
sistema prisional tradicional, as Apacs trabalham com um método próprio,
estimulando o envolvimento voluntário da sociedade nos esforços de recuperação
dos presos. No interior das unidades, não há agentes penitenciários armados nem
policiais. Os presos ficam com as chaves das celas e cuidam da segurança e da
disciplina do local. “É uma experiência extremamente interessante de
recuperação, de ressocialização de presos”, disse o ministro ao visitar hoje
(29) a sede da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de
Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Moro esteve na unidade
a convite da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). A
ministra é uma entusiasta do projeto das Apacs. Para Moro, quem comete um crime
deve ser responsabilizado, mas é papel da sociedade garantir que a pena a ser
cumprida sirva também para recuperar o detento e prepará-lo para se reinserir
na comunidade após voltar ao convívio social. “Nunca podemos perder as
esperanças de que as pessoas vão se ressocializar. Elas precisam ter
oportunidade para isso”, afirmou o ministro, destacando a disciplina e a
auto-organização dos recuperandos, como são chamadas as pessoas privadas de
liberdade que conseguem vaga nas Apacs. Além da participação da comunidade,
mais 11 elementos sustentam o método. Entre eles, a obrigatoriedade do estudo e
do trabalho; a assistência jurídica aos recuperandos e a priorização da
valorização humana por funcionários e voluntários. De acordo com a Fraternidade
Brasileira de Assistência aos Condenados (Fbac), entidade que administra e
fiscaliza as Apacs, há 51 associações desse tipo em funcionamento, em seis
unidades da Federação. Só em Minas Gerais, são 40. Mais 74 associações estão em
diferentes estágios de implantação, em vários estados brasileiros. A unidade
visitada por Moro e pela ministra Cármen Lúcia abriga 163 recuperandos. Destes,
101 cumprem pena no regime fechado; 35 no regime semiaberto e 27 no regime
semiaberto extramuros. Conta com oficinas de trabalho e de estudo, biblioteca,
espaços de laborterapia, entre outros.
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