O Instituto Fiscal Independente
(IFI) do Senado Federal divulgou novo relatório de acompanhamento em que revisa
para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018. A
previsão é de que o PIB cresça 1,6% este ano, 0,9 ponto percentual abaixo da
projeção trimestral anterior (2,7%). O percentual calculado pelo Senado
coincide com a projeção do Ministério do Planejamento e a tendência de queda
corresponde às expectativas levantadas pelo Boletim Focus do Banco Central.
Outro dado preocupante descrito no relatório do (IFI) é a confirmação de que a
dívida pública, hoje equivalente a 77,2% do PIB, continuará crescendo nos
próximos anos e deverá atingir 84,1% do PIB em 2023. “A trajetória é de alta
até estabilizar”, disse Felipe Scudeler Salto, diretor-executivo do IFI. Ele
alerta para o “custo elevado do endividamento”, que obriga o Tesouro Nacional a
aumentar o prêmio dos títulos novos que lança no mercado financeiro para
viabilizar o orçamento e resgatar antigos papéis. As projeções otimistas do IFI
assinalam o próximo governo, a ser eleito em outubro, não ultrapassará o teto
de gastos públicos pelo menos até 2020. O relatório não garante, porém, que as
despesas não crescerão mais do que a inflação a partir de 2021. Neste ano, o
nível das despesas primárias deve fechar “muito próximo do teto de gastos”. O
resultado impedirá “eventual espaço fiscal gerado por futuras projeções de
receita seja usado para ampliação de despesas”. Se houver aumento real das
despesas, o País ultrapassará limites da margem fiscal atualizada anualmente
conforme a inflação. Caso o cenário se confirme, o IFI prevê que serão
acionados “gatilhos”, como a proibição de novos concursos públicos e de
reajuste salarial dos servidores federais. A regra que vale pelos próximos 20
anos e preserva os gastos mínimos estabelecidos em lei com saúde e educação.
Conforme Felipe Salto, o eventual uso do gatilho “pode produzir efeito
importante” nas contas públicas, mas “não é suficiente” para trazer o gasto
para abaixo do teto.
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