A equipe econômica disparou nos
últimos dias alertas a lideranças políticas no Congresso Nacional para barrar a
aprovação do projeto de lei complementar que abre caminho para a criação de 300
municípios. Faltando três meses para as eleições, o projeto de 2015 entrou na
pauta de votação de quarta-feira, 11, na Câmara em regime de urgência. A área
econômica vê risco no desmembramento dos municípios para as contas públicas. A
avaliação é de que a facilitação da criação de novos municípios aumenta os
gastos com a duplicação de funções das prefeituras sem a compensação de novas
receitas para bancar o custo adicional. Além disso, pode levar à criação de
prefeituras sem capacidade financeira, aumentando a dependência de recursos dos
governos federais e estaduais. O pedido de urgência desse projeto foi aprovado
em maio com grande apoio dos parlamentares em meio ao avanço das negociações
políticas para as eleições de outubro. Na esfera política, mais municípios
significam a ampliação da influência regional com o aumento de número de
vereadores. O projeto, de 2015, é de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
e já foi aprovado no Senado. Procurado, o relator do projeto, deputado Carlos
Gaguim (DEM-TO), não quis falar sobre o projeto detalha o procedimento para
criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios. Relatório da
Instituição Fiscal Independente (IFI) mostra que os municípios arrecadaram 2,1%
do Produto Interno Bruto em 2017. Mas com as transferências feitas pelo governo
federal e Estados, as receitas disponíveis para as prefeituras mais que
triplicaram para 6,6% do PIB. Em 2002, a receita disponível era de 5,7% do PIB.
Um projeto similar sobre desmembramento de municípios, aprovado pelo Congresso,
foi vetado pela ex-presidente Dilma Rousseff com o argumento de que provocaria
aumento expressivo de despesas sem a criação de novas receitas, prejudicando
ainda a repartição dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM),
principalmente municípios menores e com maiores dificuldades financeiras.
Simples
A equipe econômica também vê com
grande preocupação a aprovação de projeto de lei complementar que readmite no
Simples Nacional empresas que foram excluídas do regime beneficiado de
tributação por existência de dívidas. Segundo o relator, deputado Jorginho
Mello (PR-SC), 470 mil microempresas haviam sido excluídas do regime
simplificado de tributação em janeiro deste ano e agora poderão retornar. De
acordo com o projeto, para voltar ao Simples Nacional os empresários deverão
aderir ao chamado Refis da micro e pequena empresa, programa que permite
renegociar débitos e pagá-los em parcelas de até 15 anos. O Comitê Gestor do
Simples Nacional se manifestou de forma contrária ao projeto, aprovado na
Câmara e que tramita agora no Senado.

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