O cenário educacional indígena,
em Jenipapo dos Vieiras, na região Central do Maranhão, passa por um processo
de mudança histórico. O Governo do Estado, por meio da Secretaria da
Infraestrutura, em parceria com a da Educação, constrói sete escolas nas
aldeias, a maior parte delas habitadas pela etnia Guajajara. Segundo o
secretário da Sinfra, Clayton Noleto, a educação indígena no estado vive um
momento histórico. “O Governo do Maranhão vive um momento ímpar. Enquanto em
outros lugares dos países vemos mais claramente atos de extermínio das chamadas
minorias, nós investimos na área que mais promove a justiça e a igualdade
social: a educação – para todos e todas”, avaliou. O investimento de mais de R$
3,5 milhões de reais é aplicado em escolas de uma e seis salas de aulas, nas
aldeias Ywyporang, Três Irmãos, Boa Vista, Raimundão, Canafistola, Montanha
Nova e El Betelsendo. A maioria será entregue ainda em 2018. Essas comunidades
enfrentavam muita dificuldade para manter as crianças estudando. Para se ter
uma ideia, na aldeia Boa Vista, por muitos anos, as aulas eram ministradas
embaixo de árvores. Depois, com recursos de uma associação, começaram a
construir uma escola, mas não conseguiram terminar e, mesmo sem as condições
adequadas, passou a funcionar. “A gente tinha aula embaixo daquele pé de manga
e do de cajú. A construção dessa escola é resultado de uma luta de muitos anos.
Fiquei muito agradecido por ter essa escola dentro da aldeia, pros meus meninos,
pros meus netos”, disse o cacique Diolino Guajajara. Além das comunidades que
recebem a construção das unidades escolares, as aldeias vizinhas também são
beneficiadas. Na aldeia El Betel, por exemplo, onde está sendo construída uma
unidade de seis salas, serão contempladas aldeias como Cajueiro, Taquari, Nova
Egito, Igauarana, mona lisa, Muçum, Sapucaia, Bueira, Jurema, Sumaúma e Nova
Belém. Hoje, uma das salas de aula da Escola Cacique Aldebal, na aldeia El
Betel, é um cercado de madeira, coberto por palha e em dias de chuva os
estudantes ficam sem aula. Um dos professores José Antônio Rocha detalha as
dificuldades enfrentadas por causa da falta de estrutura na unidade escolar.
“Aqui quando chove inunda. Entra água por cima, por baixo e ficamos sem nenhuma
condição de ter aula”, conta. Realidade que está com os dias contados, com a
entrega da nova unidade escolar. O professor já comemora. “Com estrutura
melhor, vai ter uma educação melhor. E a base do país é a educação e a
estrutura é essencial, é o primeiro passo”, acrescentou Rocha.Para o cacique
Israel Guajajara, o novo espaço vai motivar aos indígenas a buscar mais
educação. “É um espaço que as crianças vão ficar mais animadas, com mais
vontade de aprender, em uma escola dessas, que graças a Deus está existindo em
nossa reserva. Em todo Maranhão são 848 escolas na educação básica recebendo
investimentos em construção e reforma. O investimento na construção das escolas
indígenas, segundo o secretário Clayton Noleto, tem ganhos significativos que
vão além da estrutura física. Para ele, a iniciativa do Governo do Maranhão
reafirma e valoriza a identidade de cada etnia e colabora para a garantia do
direito de uma educação escolar específica, diferenciada e intercultural.
Outros investimentos
Além da melhoria nas instalações físicas
das escolas, o Governo Flávio Dino tem investido na formação continuada para os
professores indígenas, criação do Curso de Licenciatura do Magistério Indígena
na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e distribuição de equipamentos para
funcionamento das escolas. E até o final deste ano será realizado pela primeira
vez na história o concurso público para professores indígenas da rede estadual.
Fonte: Sinfra // Texto: Janaina Amorim// Fotos: Jackson Silva




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