Um bairro inteiro da cidade de
Açailândia (MA) vive de maneira degradante há três décadas por conta do polo
siderúrgico e industrial que rodeia o bairro causando grande poluição e perigo
à saúde.
Na manhã da última quarta-feira
(22 de novembro), moradores do Bairro Piquiá de Baixo, de Açailândia (MA),
interior do Estado, protestaram contra a demora no processo de reassentamento
na sede da Gerência Habitacional (GIHAB) da Caixa em São Luís, que coordena o
projeto. A equipe técnica desta unidade recebeu uma comissão de moradores,
assessoria técnica e sócio jurídica que, após algumas horas de diálogo,
chegaram ao encaminhamento de que a GIHAB de São Luís dá o projeto por aprovado
e se compromete a elaborar os laudos respectivos e enviá-los ao Ministério das
Cidades nesta segunda-feira, dia 27/11.
Fortalecidos por mais essa
conquista na luta pelo reassentamento, a comunidade, na manhã da última
quinta-feira (23), dirigiu seu foco agora para o Governo do Estado,
manifestando-se em frente ao Palácio dos Leões denunciando os altos índices de
poluição que afetam o bairro, exigindo do Governo uma efetiva fiscalização das
emissões de poluição geradas pelas empresas, bem como do respectivo
licenciamento ambiental das operações de cada uma delas.
Além disso, está em pauta também
o compromisso do Governo do Estado com a construção de equipamentos públicos no
novo bairro, Piquiá da Conquista.
Entenda o Caso
O caso de Piquiá de Baixo é
emblemático, recebeu sinais concretos de solidariedade nacional e internacional
e, se bem resolvido, poderá se tornar modelo de organização popular capaz de
converter os impactos industriais, identificar responsabilidades dos poderes
políticos e econômicos e construir modelos de vida e produção realmente
sustentáveis e respeitosos das culturas e prioridades locais. No bairro cerca
de 1.100 pessoas sofrem cotidianamente com a poluição. O bairro já existia a
pelo menos 15 anos da chegada das Siderúrgicas, a partir do final dos anos 80,
juntamente com as operações cotidianas de transporte, descarregamento e carregamento
de minério de ferro e lingotes de ferro-gusa pela empresa Vale S.A.
Desde 2005, a Associação
Comunitária dos Moradores do Piquiá (ACMP) tem se mobilizado frente a essas
violações e encaminhado denúncias a distintos órgãos a respeito da grave situação
decorrente dos altos índices de poluição. Laudos técnicos realizados por
profissionais idôneos já atestaram pelo menos desde 2007 a inviabilidade da
convivência entre as indústrias e assentamentos humanos naquela localidade.
Nos últimos 10 anos, 380 famílias
do bairro industrial de Piquiá de Baixo estão lutando contra as empresas
poluidoras do polo industrial de Açailândia (MA) que corresponde as
siderúrgicas Gusa Nordeste, Viena, Aço Verde Brasil e Cimento Verde Brasil, que
juntas lançam substâncias altamente poluentes. Manifestações e protestos,
denúncias, processos judiciais, reivindicações para o eficaz monitoramento
ambiental por parte do Estado, luta para a instalação de filtros e diminuição
dos impactos.




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