Presença do crime organizado na
vizinhança é notada - com mais intensidade – entre os habitantes das regiões
metropolitanas da região Sudeste do país.
Pesquisa do Fórum Brasileiro de
Segurança Pública feita pelo Instituto Datafolha – liberada com embargo no fim
de semana – revela que metade da população tem a percepção da presença do crime
organizado em sua rotina. Tal sensação é notada – com mais intensidade – entre
os habitantes das regiões metropolitanas da região Sudeste do país.
Para a amostra de caráter
nacional, foram ouvidas 2.087 pessoas de 130 municípios brasileiros que
responderam à pergunta “Você diria que a chance de existir crime organizado ou
facção na sua vizinhança é alta, média, baixa ou nenhuma?”. Para 23% dos
entrevistados a resposta foi “alta”, enquanto que para outros 26% foi
considerada “média”. Outros 24% consideraram a chance baixa e 23% responderam
“nenhuma”. A repercussão das respostas entre especialistas foi considerada um
alerta que requer prioridade para a revisão de políticas públicas.
Diretor-presidente do fórum, o
sociólogo Renato Sérgio de Lima se mostra preocupado: “Precisa haver
investimentos e ações específicas no desmantelamento de quadrilhas e na
apreensão de armas”, publicou.
Situação é mais grave no CEP do
Inferno
Com margem de erro de dois pontos
porcentuais e com nível de confiança de 95%, a pesquisa demonstra, no entanto,
que há espaço para políticas públicas e ações de prevenção. No Rio de Janeiro,
o roubo de cargas preocupa a Federação das Indústrias (Firjan) e também o
Sindicato das Empresas de Carga e Logística do Rio (Sindicarga).
Com mais de um caminhão roubado
por hora, o segmento de transporte já experimenta a falência de 40 empresas de
pequeno e de médio porte. Além disso, o roubo de carga afeta as vendas da
indústria e do comércio bem como os custos de logística: em doze meses, os
gastos com transporte de mercadorias para o Rio – considerado o CEP do Inferno
– aumentaram entre 30% e 35%. Como algumas empresas se recusam a transportar
mercadorias – especialmente alimentos e eletroeletrônicos – para o estado e,
principalmente, para a capital, o risco de desabastecimento aumenta.
Poucos minutos depois de retirados
dos caminhões, produtos como alimentos (carne e cerveja são os preferidos),
brinquedos e vestuário ganham as ruas por meio de uma rede de ambulantes que
anunciam a grande oferta até mesmo nos vagões do metrô. Bem ao nosso lado. As
investigações da Polícia Civil fluminense apontam que os roubos são
encomendados e combinados pelo WhatsApp.
Produtos mais caros e
sofisticados, como smartphones, medicamentos e eletroeletrônicos são agora
transportados em veículos blindados ou em comboios com escolta armada. Enquanto
o comércio eletrônico avança em todos os estados da região Sudeste, no Rio de
Janeiro, as vendas andam de marcha à ré – com queda de 1% contra um aumento de
10% no Espírito Santo. O problema não é a venda. É a entrega.

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