Em discurso na última sexta-feira, o senador Cristovam Buarque
(PDT-DF) defendeu a extinção dos partidos políticos no Brasil. Ao comentar as
manifestações que se multiplicam pelo país, Cristovam disse que para atender as
reivindicações dos manifestantes é necessário abolir os partidos.
"Talvez eu radicalize agora, mas acho que para atender o
que eles querem nós precisaríamos de uma lei com 32 letras: estão abolidos os
partidos, estão abolidos todos os partidos. Isso sensibilizaria a população lá
fora. Hoje, nada unifica mais todos os militantes e manifestantes do que a
ojeriza, a desconfiança, a crítica aos partidos políticos", afirmou.
O senador disse que "talvez seja a hora de dizer: estão
abolidos todos os partidos" para colocar "outra coisa" em seu
lugar.
Cristovam citou a ex-senadora Marina Silva, que articula a
criação do partido Rede de Sustentabilidade, ao afirmar que a sigla vai entrar
no "mesmo sistema" das demais que já existem no país.
"Mesmo que o partido [Rede] tenha o nome do que não é
partido, é partido: teve de conseguir as assinaturas, vai entrar no mesmo
sistema, vai receber fundo partidário, porque espero que a lei que o proíbe de
receber não passe aqui."
O senador defendeu a reorganização dos agentes políticos
brasileiros com a criação de um novo formato de partidos e da maneira de fazer
política. "Nossos partidos não refletem mais o que o povo precisa com seus
representantes, nem do ponto de vista do conteúdo, nem do ponto de vista da
forma."
O parlamentar também defendeu a realização Assembleia
Constituinte exclusiva para discutir reforma política - no prazo máximo de um
ano. A reforma, na opinião de Cristovam, deve incluir permissão para o chamado
"voto avulso", em candidatos não filiados a nenhum partido.
"Creio que essa é uma proposta que poderia levar à
revolução. Não há manifestação de um milhão de pessoas em um dia que não exija
uma revolução." Na opinião do senador, os milhares de manifestantes não
vão aceitar nada menos que um "revolução" no país. "Mas a
revolução hoje não é na economia. A economia precisa de grandes ajustes. Não é
no social. O social precisa de grandes ajustes."
Ao dirigir-se à presidente Dilma Rousseff, Cristovam disse
que se a petista optar por um discurso à nação centrado no combate ao
vandalismo nas manifestações, ela vai cometer um "erro muito grave" e
se "transformar de estadista em xerife". "Nós precisamos de uma
estadista que, inclusive, tem que ser xerife em um pequeno momento do seu dia a
dia, mas não pode ser por aí."
Discursos
Desde ontem à noite, as manifestações realizadas em diversas
cidades do país dominam os discursos dos senadores. Eles mantiveram a sessão
plenária até pouco depois da meia-noite, numa espécie de "vigília"
paralela aos protestos nas ruas. Os poucos que permaneceram no plenário, no
máximo cinco senadores, se revezaram em discursos para comentar as
manifestações.
Os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Pedro Simon (PMDB-RS)
também defenderam a convocação de uma Assembleia Constituinte para discutir
exclusivamente a reforma política - principal reivindicação dos manifestantes,
na opinião dos congressistas.
"Quando o senador Cristovam fala em convocar uma
Assembleia Nacional Constituinte, eu entendo o porquê. É porque ele, como toda
a sociedade, não acredita no Congresso Nacional, duvida que nós façamos alguma
emenda positiva a favor do povo brasileiro", disse Simon.
Vice-presidente do Senado, o senador Jorge Viana (PT-AC)
afirmou que os protestos nas ruas do Brasil não miram em nenhum partido ou
governo, mas no sistema político em geral. "Não há uma ação direta contra
governo A, B, C ou D, mas contra tudo e contra todos. É um questionamento às
instituições."
Fonte: Youtube e Folha de S.Paulo
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