Convencido de que as ‘pedaladas
fiscais’ levarão TCU a rejeitar a prestação de contas do governo Dilma Rousseff
de 2014, Eduardo Cunha se equipa. Ao estudar a matéria, o presidente da Câmara
verificou que os parlamentares terão de votar um ‘decreto legislativo’.
Surpreendeu-se com o quórum exigido para a derrubada das contas anuais do
governo. “Por incrível que pareça, é maioria simples”, disse a
correligionários.
Significa dizer que, alcançado o
quórum mínimo para a abertura da sessão —257 dos 513 deputados e 41 dos 81
senadores—, basta que metade mais um dos presentes vote pela rejeição da
escrituração do governo e estará criado o pretexto para a abertura de um
processo de impeachment contra Dilma.
O quórum para a derrubada das
contas contrasta com a quantidade de votos exigida para a concretização do
impeachment: dois terços. Cabe à Câmara abrir o processo. Exige-se um mínimo de
342 votos. Ao Senado incumbe julgar. São necessários pelo menos 54 votos para
afastar um presidente. O processo é político, ensina o professor de Direito
constitucional Michel Temer.
O Planalto avalia que, hoje, os
adversários de Dilma não disporiam de votos para afastá-la da poltrona. Ainda
assim, a simples rejeição das contas de 2014 conturbaria uma conjuntura já
bastante conturbada.
As fornalhas do Congresso serão
religadas na semana que vem. À espera da decisão do TCU, o agora oposicionista
Eduardo Cunha decidiu limpar o terreno. Planeja votar prestações de contas
antigas, que estavam esquecidas nas gavetas da Câmara desde o governo Itamar
Franco.
JOSIAS DE SOUZA

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