Embora tenham se dedicado ao longo de toda a terça-feira a
discutir o ajuste fiscal proposto pelo governo, os deputados acabaram aprovando
nesta noite o projeto que aumenta de 70 para 75 anos a idade para a
aposentadoria compulsória de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos
tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União (TCU), conhecida como a
PEC da Bengala. O texto foi votado graças a uma manobra articulada pessoalmente
pelo presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para inverter a pauta e garantir a
votação da PEC com o quórum alto.
Em tramitação no Congresso há dez anos e aprovada na esteira
das denúncias do petrolão, a PEC da Bengala, na prática, impede que a
presidente Dilma Rousseff indique cinco novos ministros ao STF até o fim de seu
mandato. O segundo turno do texto foi aprovado por 333 a 144 votos. A matéria,
agora, segue para promulgação do Congresso – por ser uma proposta de emenda à
Constituição (PEC), não precisa do aval de Dilma para entrar em vigor.
Desde que assumiu o comando da Câmara, o presidente Eduardo
Cunha (PMDB-RJ) passou a trabalhar pessoalmente por mudanças nas regras do
Judiciário. O primeiro turno da proposta que altera a aposentadoria compulsória
dos ministros foi aprovado em março – com o governo contrário. Nesta terça, no
auge da votação da medida provisória do ajuste fiscal, ele encerrou a sessão e
convocou uma nova, com a PEC em pauta. A ação foi articulada com antecedência e
avisada aos aliados durante almoço nesta terça. Um peemedebista próximo a Cunha
avaliou que a postura do governo em relação à PEC teria influência direta na
posição da bancada do PMDB sobre as MPs do ajuste fiscal. O governo acabou
liberando a base, e o PT obstruiu a votação.
No entanto, o PMDB decidiu travar a votação da medida
provisória depois que o ex-presidente Lula criticou, durante programa do
Partido dos Trabalhadores nesta terça, o projeto que amplia a possibilidade de
terceirização dos trabalhadores, aprovado pela Câmara após esforço do PMDB. O
líder do peemedebista Leonardo Picciani disse que a bancada não vota a MP até que
o PT feche questão para a votação da matéria – nesta tarde, a legenda anunciou
apoio à proposta, mas não houve unanimidade. “Se não for assim, não conte
conosco. O país não precisa desse remédio amargo, nós não vamos empurrar essa
conta no trabalhador”, disse.
Supremo - Até 2018, cinco ministros do STF vão alcançar os 70
anos: Celso de Mello, Teori Zavascki, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski
e Rosa Weber. Pela regra atual, isso implicaria em afastamento obrigatório
deles. Com a mudança da legislação e a extensão do prazo, a presidente deixaria
de indicar novos magistrados para esses cargos.
A PEC da Bengala, de autoria do ex-senador Pedro Simon
(PMDB-RS), já foi aprovada em dois turnos no Senado. Além de ampliar o prazo
para a aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores, o texto
permite que a idade seja alterada também para servidores de cargos efetivos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para isso, porém, é
necessária a aprovação de uma lei complementar.
Fonte: Veja

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