O SIGNIFICADO DA VIDA

quinta-feira, 12 de março de 2015

Quem É Você?


“Porque, como imagina em sua alma, assim ele é...” - Provérbios 23.7.

A grande questão que inquieta é a respeito de quem nós somos. Procuramos por uma natureza humana, uma essência, algo que nos explique e nos justifique. 

Por conta disso, sempre achamos que falta alguma coisa, sentimo-nos incompletos e imperfeitos. 

A própria busca por uma perfeição comporta em si mesma um equívoco.
A expectativa da perfeição é uma ficção das mais perversas, pois é a causa de muitas frustrações, alimenta muitos ressentimentos e provoca os preconceitos. 

Não podemos nos esquecer de dois aspectos muito importantes: primeiro, que somos pessoas marcadas pela ambiguidade. 

Ao mesmo tempo que tememos o nosso fim, desejamos o que está além de nós mesmos. Segundo, que na história da humanidade houve um momento em que nos perdemos de nós mesmos. 

A Bíblia chama esse momento de “queda” e o trata na perspectiva do pecado de Adão e Eva no paraíso. Adão é o arquétipo do homem em condição de perdição. Tinha tudo, vivia no paraíso, poderia fazer a melhor escolha de ajustar a vida àquele estado, mas preferiu ir além e experimentar o fruto que ampliava o seu conhecimento. 

O resultado dessa história é que o próprio ser humano passou a olhar para si como incompleto, desalojado de sua condição primeira, em busca de algo que lhe devolva o sentido primeiro.

Para que possamos resgatar algo que nos faça sentido, precisamos de um espelho, que é a imagem do outro. 

É pela criação da imagem do outro que conseguimos compreender a nós mesmos. A imagem do espelho é a imagem do outro que pode ser eu mesmo, mas que só consigo me ver como outro. 

Esse outro é o que eu desejo ser e não há qualquer relação de unidade entre essa imagem e quem de fato sou, a não ser como imaginário.

A psicanálise nos ajuda a compreender essa nossa realidade humana. Entretanto, essas reflexões não são só da psicanálise, embora ela tenha desenvolvido uma abordagem bastante interessante sobre essa relação. 

Conhecer mais a si mesmo é uma necessidade humana. Este é um princípio presente em várias culturas. O budismo ensina a conhecer a si mesmo como princípio para que possa aprender a esquecer de si mesmo. 

Sócrates usou o princípio do oráculo de Delfos do “conhece a ti mesmo” para orientar a prática do cuidado de si. 

Fonte: FilosofiaeEspiritualidade

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