A mineradora é acusada de violar direitos trabalhistas, comunitários,
ambientais e sanitários em diversas regiões brasileiras e vários países.
Desconstruir a imagem da Vale
será, a partir de agora, uma das principais estratégias adotadas pelas vítimas
da empresa de mineração sediada no Brasil. Tal conclusão se deu no último dia (16) no
III Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, realizado no bairro Santa
Tereza, no Rio de Janeiro. A mineradora é acusada de violar direitos
trabalhistas, comunitários, ambientais e sanitários em diversas regiões
brasileiras e vários países, entre eles, Moçambique, Peru, Chile, Nova
Caledônia e Canadá.
Em janeiro deste ano, a empresa
foi eleita a pior do mundo em uma votação da Public Eye Awards, “premiação”
existente desde 2000 e que tem o Greenpeace como um dos organizadores. De 88
mil votos, a Vale recebeu 25 mil. A mineração e os projetos extrativistas em
geral vêm sendo temas de muitos debates e atividades na Cúpula dos Povos, que
acontece na capital fluminense como evento paralelo à Conferência das Nações
Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 – da qual a mineradora é
uma das patrocinadoras.
Um dos diagnósticos do encontro é
que as empresas que mais causam impactos sociais e ambientais estão fazendo nos
últimos anos grande uso da publicidade e da chamada “filantropia estratégica”.
No Brasil, por exemplo, a Vale, além dos projetos sociais apoiados por sua
fundação, vêm investindo bastante em propagandas – em meios eletrônicos e
impressos – que contam com artistas de renome e buscam reforçar sua conexão com
o Brasil.
Além de manter o foco do
enfrentamento direto – como protestos, mobilizações e ações judiciais –, o
grupo pretende mostrar à sociedade “a verdadeira face da empresa”. Nesse
sentido, foram sugeridas ações como a criação de um site em três ou quatro
idiomas (português, espanhol e inglês, com a possibilidade de se incluir também
o francês) e a produção de materiais de contrapropaganda – panfletos, folders,
cartilhas, vídeos etc. Uma das prioridades é a divulgação das denúncias nas
escolas, uma tentativa de contra-atacar o trabalho que a mineradora faz nessas
instituições.
Por Racismo Ambiental,
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