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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Acionistas críticos da Vale preparam intervenção na Assembleia Geral Ordinária da empresa‏.

“Uma das principais moções do grupo é o pedido de saída da atual diretoria”.

Após o desastre de Mariana e no ano em que se completam duas décadas do massacre de Eldorado dos Carajás, acionistas críticos, representantes da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, preparam intervenção e ato público para o dia 25 de abril, quando se realizará a Assembleia Geral Ordinária para Acionistas da empresa Vale S.A, às 11h.

Na posição de acionistas, os representantes da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale retêm o direito ao voto e a fala durante a assembleia da empresa. Podendo, desta forma, expor seus votos referentes aos relatórios de prestação de contas e elucidar contradições e falhas do discurso da empresa em relação, principalmente, a impactos ambientais e direitos humanos, aos outros acionistas da companhia e presentes na assembleia.

Uma das principais demandas reivindicadas pelos acionistas críticos neste ano é a saída da atual diretoria da empresa. Segundo Raphaela Lopes, que vota contra o Relatório de Administração e das demonstrações financeiras de 2015 - afirmando que este não condiz com a realidade, contendo contradições e ausência de transparência - a diretoria atual está mostrando não ter controle algum sobre a empresa e a remediação dos custos decorrentes do rompimento da barragem de Mariana, a partir do momento em que os dividendos não estão sendo pagos e as ações valem cada vez menos.

Carolina de Moura Campos é também uma das acionistas críticas e votará contra a nova proposta de remuneração dos administradores e dos membros do conselho fiscal, que será discutida na assembleia e pede a fixação, como verba global, do montante de até R$90.372.853,00 (noventa milhões, trezentos e setenta e dois mil, oitocentos e cinquenta e três reais) a serem distribuídos aos membros do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e da Diretoria. Segundo ela, que acredita que a proposta seja incoerente com a situação financeira atual da empresa, “é vergonhoso que apenas um de nossos diretores receba 800 mil reais/mês (sem benefícios) enquanto vidas, comunidades e cidades inteiras foram e continuam sendo destruídas e aniquiladas por nossas atividades.” Carolina ainda explica que após o desastre de Mariana, a empresa precisaria, na verdade, investir maior parcela de seu capital em iniciativas de reparação e recuperação socioambiental e em tecnologias mais caras, porém mais seguras e menos impactantes.

Através dessas e outras críticas aos relatórios e propostas apresentadas pela empresa, os acionistas ligados a Articulação Internacional de Atingidos e Atingidas pela Vale, procuram intervir na tramitação habitual da votação na assembleia e trazer para a discussão pontos que deem voz aos movimentos sociais que representam, fazendo os outros acionistas refletirem sobre a real imagem da empresa e como sua postura precisa ser mudada. 

Além da intervenção na assembleia, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale prepara também um ato, que será realizado a partir das 12h, no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. Este ato contará com intervenções culturais, teatro, exposições de fotos sobre o desastre de Mariana e aula pública com professores de universidades e institutos estaduais e federais sobre as recentes ações da empresa e seus contextos. Além disso, lideranças do Krenak, grupo indígena brasileiro oriundo do vale do Rio Doce, e atingidos da Bacia do Rio Doce estarão presentes apresentado seus depoimentos sobre as consequências ambientais e sociais vividas por eles causadas por projetos da Vale.

Os impactos sofridos pelas 100 comunidades que vivem às margens da Estrada de Ferro Carajás (EFC) também serão debatidos durante os votos dentro da Assembleia e reivindicados por milhares de pessoas no ato. A EFC corta 27 municípios (25 no Maranhão e dois no Pará) e causa inúmeros transtornos à população que reside ao longo da via férrea: atropelamentos de pessoas e animais, barulho, trepidação e rachaduras nas casas, poluição e etc. Não havendo nenhum tipo de compensação para essas comunidades. A ferrovia atende ao escoamento do minério explorado pela empresa Vale S.A (antiga Companhia do Vale do Rio Doce) há mais de 30 anos, por meio do Projeto Grande Carajás e que atualmente se encontra em fase de duplicação (em 2014, o plano de duplicação foi declarado ilegal pela Justiça Federal do Maranhão).

A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale é composta por organizações sociais, sindicatos, movimentos sociais, ambientalistas, religiosos, do Brasil e de outras partes do mundo, que denuncia desde 2010 a prática constante de violação de direitos humanos e ambientais da empresa Vale S.A., privatizada em 1997.

Ingrid Ferrari e Ascom rede Justiça nos Trilhos
Assessoria de Comunicação
Rede Justiça nos Trilhos

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